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Venezuela anuncia fim da suspensão aos sites El Nacional e La Patilla após anos de bloqueio digital
Medida faz parte do "Programa para a Paz e a Convivência Democrática"; oposição pede que fim das restrições seja estendido a outras plataformas

Foto: Prensa Presidencial de Venezuela
O governo da Venezuela anunciou o fim das restrições administrativas para os portais de notícias El Nacional e La Patilla, digitalmente bloqueados por anos. O anúncio foi feito na última quinta-feira (29) pelo ministro da Comunicação e Informação, Miguel Pérez Pirela. Agora, os provedores de internet poderão restabelecer o acesso aos dois sites em todo o país. As informações são do O Globo.
O ministro afirmou que a suspensão das medidas foi determinada pela presidente interina, Delcy Rodríguez, e faz parte dos acordos fechados entre integrantes do governo e ex-deputados da Assembleia Nacional eleita em 2015. A decisão está inserida no Programa para a Paz e a Convivência Democrática, apresentado pelo Executivo como parte dos esforços de diálogo político no país com o aval dos Estados Unidos.
A presidente do Parlamento opositor, Dinorah Figuera, confirmou que os dois veículos já voltaram a ter tráfego regular no país, sem bloqueios, mas defendeu que o fim das restrições seja estendido a todas as plataformas que continuam censuradas. Marco Quiñones, vice-presidente da Assembleia Nacional de 2015 e representante parlamentar nas negociações, também avaliou a decisão de forma positiva, e declarou que a medida representa um avanço concreto das negociações políticas, voltadas à reinstitucionalização do país e à garantia do livre exercício do jornalismo.
Encontro com oposição
Na semana passada, Delcy Rodríguez recebeu pela primeira vez a chefe da delegação opositora na mesa de negociações voltada a uma transição política. Na véspera, o governo interino e a oposição ratificaram a disposição de realizar eleições no país ao fim da terceira rodada de conversas, patrocinada por Washington e realizada ao longo de uma semana em Caracas. As delegações também acordaram revisar as leis que restringem a participação política e mantêm dezenas de opositores inelegíveis, entre eles a líder opositora e Nobel da Paz María Corina Machado.
Em setembro, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) desbloqueou dez sites de notícias que estavam censurados na Venezuela há anos. Na época, a expectativa era de que a medida inaugurasse um processo para reativar mais de 200 domínios na internet, meses depois da captura de Nicolás Maduro pelas forças dos EUA. Desse total, 65 pertencem a veículos de comunicação. O bloqueio desses sites já era denunciado por jornalistas e ONGs como forma de censura, o que o governo do presidente deposto Nicolás Maduro sempre negou.
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