
Internacional
Torre Eiffel é fechada após França ter novo dia de greve e protestos
Centenas de escolas estão fechadas e o transporte público foi afetado

Foto: Gouvernement français
Sindicatos franceses voltaram a se mobilizar nesta quinta-feira (5) em uma nova jornada de paralisações e atos públicos espalhados pelo país. Paris, Lyon e Marselha estão entre as cidades que registram grandes concentrações, com milhares de participantes, segundo agências internacionais.
As entidades sindicais estimam a realização de aproximadamente 260 manifestações. Os protestos são motivados pelo encarecimento do custo de vida e também manifestam apoio à mobilização iniciada por estudantes do ensino médio. Em comunicado conjunto, os sindicatos alertaram para o risco de recessão e o avanço dos planos de demissão no país.
No documento, as organizações criticaram a alta generalizada dos preços de itens essenciais, como combustíveis, alimentos, aluguel e contas de energia, enquanto salários e aposentadorias não acompanham o mesmo ritmo. Os representantes também cobraram respostas imediatas para os problemas sociais e ambientais.
A mobilização já provoca impactos em diferentes setores. Centenas de escolas de ensino médio foram fechadas ou tiveram o funcionamento comprometido, seja pela realização de manifestações, seja pela adesão dos professores à greve. O transporte público também enfrenta interrupções e alterações. A Torre Eiffel, um dos principais cartões-postais franceses, permanece fechada nesta quinta-feira.
Em Estrasburgo, a estudante Luce, de 15 anos, afirmou à agência AFP que decidiu continuar participando dos atos diante da falta de diálogo com as autoridades. Segundo ela, a mobilização é uma tentativa de pressionar por mudanças. Para acompanhar as manifestações, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou o deslocamento de 70 mil policiais, com apoio de blindados, drones e helicópteros.
Na cidade de Rennes, na região da Bretanha, autoridades relataram tentativas de bloqueio de vias por pessoas encapuzadas. Também foram registrados episódios de violência envolvendo jovens, alguns acompanhados por adultos, incluindo o lançamento de esferas metálicas contra policiais.
Na capital francesa, agentes de segurança impediram o fechamento de instituições de ensino em diferentes pontos da cidade. Para dispersar grupos de manifestantes, a polícia recorreu ao uso de gás lacrimogêneo.
Dois meses de mobilização
A atual onda de protestos teve início em meados de setembro, a partir de movimentos organizados por estudantes do ensino médio, e posteriormente ganhou adesão de outros setores da sociedade. Mobilizações semelhantes também foram registradas em países como Espanha, Itália, Bélgica e Albânia.
Os atos, que em algumas ocasiões foram acompanhados por confrontos e saques — como os registrados em 17 de outubro —, ampliaram a pressão social sobre o governo de Emmanuel Macron, cujo mandato está previsto para terminar em maio. De acordo com números divulgados pelas autoridades, algumas manifestações chegaram a reunir quase 1,3 milhão de pessoas.
Para esta quinta-feira, a expectativa dos sindicatos é de que entre 500 mil e 700 mil manifestantes participem dos atos fora de Paris. Na capital, a estimativa varia de 40 mil a 80 mil pessoas. Entre as principais reivindicações estão o reajuste do salário mínimo, aumentos salariais mais amplos, mudanças na política tributária e a manutenção dos serviços públicos.
A insatisfação também está relacionada à elevação dos preços dos combustíveis e à proposta de ajuste fiscal do governo para o orçamento de 2027. Nesse cenário, a perda do poder de compra se consolidou como um dos principais motivos da mobilização.
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