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Violência escalada para jogo: confronto entre torcedores acende alerta sobre violência no futebol

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Violência escalada para jogo: confronto entre torcedores acende alerta sobre violência no futebol

Nos últimos três meses, o Metro1 já noticiou pelo menos 10 episódios de violência envolvendo torcedores baianos

Violência escalada para jogo: confronto entre torcedores acende alerta sobre violência no futebol

Foto: Reprodução

Por: Mariana Bamberg no dia 15 de setembro de 2022 às 12:46

Reportagem publicada originalmente no Jornal da Metropole em 15 de setembro de 2022

As cenas de um carro indo de encontro a três torcedores no bairro de São Caetano ainda não saíram da mente dos baianos, mas um novo episódio de violência já tomou os noticiários esportivos. Dessa vez, um ônibus de torcedores do Vitória foi apedrejado durante a partida contra o ABC, em Natal. O caso aconteceu no último sábado, dois dias antes do Ministério Público da Bahia ajuizar uma ação pedindo que a Justiça afaste por dois anos a Bamor e Os Imbatíveis, torcidas envolvidas no confronto em São Caetano.

O pedido inclui ainda a proibição do uso e venda de itens e indumentárias características das associações. A confusão entre as torcidas dos times baianos acabou com um saldo de 53 torcedores conduzidos à delegacia, 3 feridos e 2 homens presos por tentativa de homicídio - esses foram soltos e responderão em liberdade. Apesar de terem tomado as redes sociais, as cenas desse episódio não foram as únicas no estado. Só nos últimos 3 meses, o Metro1 noticiou 10 casos de violência no futebol baiano.

Em 25 de julho, uma pancadaria generalizada invadiu o campo em um campeonato amador de Vera Cruz. Na semana anterior, um motociclista que vestia uma camisa do Itamaraju já tinha sido agredido por torcedores nas imediações do Barradão. Mais recentemente, vídeos de torcedores do Bahia trocando chutes e socos também viralizaram nas redes sociais. 

Advogado e presidente do Instituto de Direito Desportivo da Bahia, Milton Jordão confirma a percepção de escalada da violência envolvendo torcedores nos bairros. Em contrapartida, dentro dos estádios os episódios violentos têm diminuído. Para ele, isso está relacionado às punições aos times. “O próprio torcedor reprime para evitar que o clube sofra as consequências”, explica.

De acordo com o advogado, nesses casos as sanções contra os clubes podem variar entre multas, perda de mando de campo ou até público zero. Já em conflitos fora dos estádios, as punições serão cíveis e criminais aos torcedores individualmente e às organizadas.

Nesses casos, no entanto, são raras as punições firmes e a reincidência é fruto disso. Um dos feridos de São Caetano era Marcelino Ferreira Neto, que também participou do ataque ao ônibus do Bahia em fevereiro. Ele e mais três envolvidos foram indiciados e responderão em liberdade por lesão corporal leve. O crime vitimizou o goleiro Danilo Fernandes, que passou por cirurgia no olho.

Para o advogado, é preciso monitoramento e metodologia. “Ainda não temos uma estrutura ideal. É preciso monitorar que torcedor punido não está entrando no estádio. E não adianta só fazer ele se apresentar na delegacia no dia do jogo, é preciso dar estrutura para que se faça um trabalho para ele entender a cultura de paz e perceber seu erro”, opina.