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Retrospectiva: entrevista de Wagner a Metrópole abalou a Bahia em março deste ano

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Retrospectiva: entrevista de Wagner a Metrópole abalou a Bahia em março deste ano

Em menos de um semana após a entrevista, PP rompeu aliança com o grupo do PT, entregou todos os cargos e declarou apoio a ACM Neto

Retrospectiva: entrevista de Wagner a Metrópole abalou a Bahia em março deste ano

Foto: Metropress/Fernada Vilas Boas

Por: Rodrigo Daniel Silva no dia 22 de dezembro de 2022 às 09:29

Reportagem publicada originalmente no Jornal da Metropole em 22 de dezembro de 2022

— Posso ir amanhã lá às 8 horas? — ouviu Mário Kertész de Jaques Wagner, que estava do outro lado do telefone.

— Claro, Wagner — respondeu o âncora da Rádio Metropole.

Era domingo à noite de 6 de março deste ano. Wagner estava preocupado porque sua base política sangrava há semanas desde que havia anunciado a decisão de não ser candidato a governador da Bahia. Havia um vácuo no grupo político porque não existia nenhum nome natural para substituir Wagner na disputa pelo governo contra um corrente tão competitivo quanto ACM Neto, que havia acabado de deixar a prefeitura de Salvador bem avaliado.

O nome de Otto Alencar (PSD) chegou a ser ventilado, mas o próprio senador descartou a hipótese. Disse que havia se preparado para competir pela reeleição e não para entrar em briga pelo Palácio de Ondina. Além disso, havia resistência por parte dos petistas que queriam um quadro do PT para ser candidato a governador. Wagner resolveu então dar um basta na manhã daquele dia 7 de março.

— Vou começar a colocar um ponto final nessa história que está se esticando já demais — avisou o senador petista ao começar a entrevista na Rádio Metropole.

Em seguida, Wagner deu o ultimato:
— Rui decidiu. Vai ficar sentado na cadeira até o final.

O anúncio de Wagner abalou o estado. Isso porque o vice-governador João Leão (PP) desejava que Rui renunciasse para ele assumir o governo da Bahia. O sonho de Leão, no entanto, morreu após o fato consumado do senador petista. Ao perceber a insatisfação dos progressistas com a postura de Wagner, ACM Neto pede que seu aliado, o presidente do União Brasil, Paulo Azi, entre em contato com os integrantes do PP a fim de firmarem um acordo para a eleição.

Em menos de um semana após a entrevista, vários fatos sucessivos acontecem na Bahia: o PP rompe a aliança de 14 anos com o grupo do PT, entrega todos os cargos, declara apoio a ACM Neto e João Leão é confirmado como candidato a senador na chapa oposicionista. Tempos depois, ele desistiria e lançaria o filho, o deputado federal Cacá Leão (PP), como postulante ao Senado.

Na entrevista decisiva, Wagner anunciaria ainda que três nomes do PT disputavam a indicação para ser o candidato a governador da base governista: Jerônimo Rodrigues, Luiz Caetano e Moema Gramacho. Com apoio do governador Rui Costa (PT), Jerônimo acabou sendo o escolhido pelo partido. Mas a história do rompimento do PP com a ala governista não teve desfecho aí.

Convencido de que era preciso dar um “troco” nos adversários e fortalecer a aliança para eleições, Wagner foi buscar um antigo aliado para integrar sua aliança partidária: o MDB. Após acordo, a sigla indicou o presidente da Câmara de Vereadores de Salvador, Geraldo Júnior, para ser o vice de Jerônimo. A estratégia de Wagner que parecia uma porção de erros políticos
se mostrou acertada. O PT conquistaria no final de outubro deste ano, pela quinta vez, o governo da Bahia.

E a entrevista, que parecia até despretensiosa, acabou provocando uma grande reconfiguração de poderes na Bahia