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Após quase fechar as portas, Escola Maria Felipa se reinventa e renasce na crise
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Após quase fechar as portas, Escola Maria Felipa se reinventa e renasce na crise
Referência em educação antirracista em Salvador, unidade de ensino do Garcia decide virar instituto para sobreviver e recebe apoio, financeiro e emocional, da comunidade negra

Foto: Reprodução
No bairro do Garcia, em Salvador, as portas da Escola Afro-brasileira Maria Felipa quase se fecharam. Criada em 2017 pela educadora e escritora Bárbara Carine ao lado da sua sócia Maju Passos, a instituição havia se consolidado como um espaço pioneiro de educação antirracista no Brasil, mas passou a enfrentar dificuldades financeiras severas, que colocaram em risco a continuidade do projeto.
O projeto nasceu do desejo da educadora de oferecer à filha, uma criança negra adotada, um ambiente escolar que rompesse com padrões eurocêntricos e fortalecesse identidade, pertencimento e consciência crítica. Com o tempo, a Maria Felipa se tornou referência nacional, unindo o ensino tradicional ao resgate de saberes afro-brasileiros e ameríndios.
Embora a crise tenha se tornado pública recentemente, a transição para um novo modelo jurídico já vinha sendo pensada desde 2022. Segundo Maju Passos, a equipe compreendia o impacto social da iniciativa e discutia a criação de um CNPJ sem fins lucrativos como forma de ampliar o campo de atuação e viabilizar a captação de recursos.
No ano passado, a decisão ganhou contornos mais concretos. A gestão entendeu que seria necessário transferir a operação da escola privada para dentro de um instituto, enfrentando o desafio da transição jurídica e financeira. “Para abrir o instituto, precisávamos quitar todas as questões econômicas da escola para, então, captar recursos já como instituto”, explicou Bárbara.
Funcionando como escola privada, a capacidade máxima era de 135 crianças, mas o maior número atendido foi de 72 alunos. Para este ano, já sob o novo formato institucional, a meta é manter 50% das vagas destinadas a bolsistas e 50% a estudantes pagantes. Um edital de bolsas deve ser lançado até fevereiro.
O momento mais crítico levou ao anúncio de encerramento das atividades, o que gerou apreensão entre as famílias e desgaste emocional da equipe. A reação da comunidade, no entanto, mudou o rumo da história. Mobilizações presenciais, transmissões ao vivo e manifestações nas redes sociais ampliaram a visibilidade do caso e resultaram em uma doação de R$ 430 mil, valor considerado decisivo para viabilizar a reestruturação do projeto como instituto.
Para garantir o funcionamento ao longo do ano, o orçamento estimado é de R$ 1,3 milhão. Uma vaquinha busca arrecadar R$ 200 mil, enquanto a gestão mantém articulações em diferentes frentes, incluindo reuniões com o poder público e contatos com financiadores nacionais e internacionais, para manter viva uma história que faz diferença.
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