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Com alta de 44%, Salvador entra no ranking das capitais que mais vendem carros elétricos

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Com alta de 44%, Salvador entra no ranking das capitais que mais vendem carros elétricos

Com mais de 5,2 mil emplacamentos em 2025 e alta de 44% em um ano, Salvador já figura entre as capitais que mais vendem carros elétricos no país, movida por incentivos e economia

Com alta de 44%, Salvador entra no ranking das capitais que mais vendem carros elétricos

Foto: GWM/Divulgação

Por: Metro1 no dia 22 de janeiro de 2026 às 07:30

Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 22 de janeiro de 2025

Os carros elétricos deixaram de ser exceção nas ruas de Salvador e passaram a ocupar espaço cada vez mais visível no trânsito da capital baiana. Em 2025, a cidade registrou 5.262 veículos elétricos vendidos, número que garante a sexta colocação no ranking nacional entre as capitais com maior volume de emplacamentos. O dado confirma uma tendência que vem se consolidando desde 2022, quando a eletromobilidade começou a ganhar tração de forma mais consistente no estado. Ao longo dos últimos quatro anos, Salvador acumulou 11.307 vendas de veículos elétricos, entre modelos 100% elétricos e híbridos.

Na comparação anual, as vendas saltaram de 3.660 veículos em 2024 para 5.262 em 2025, um crescimento de quase 44%. Esse crescimento também se reflete no cenário estadual. Entre 2022 e 2025, mais de 20 mil carros elétricos foram vendidos em toda a Bahia. O crescimento expressivo reflete uma mudança gradual no perfil do consumidor baiano e não pode ser explicado apenas pelo discurso ambiental. A decisão de migrar para a mobilidade elétrica envolve fatores econômicos, incentivos públicos, ampliação da oferta de veículos e uma nova lógica de custo-benefício, especialmente em um cenário de combustíveis fósseis caros e instáveis.

Impulsionados pela modernidade

Os motivos que levam os baianos a optar pelos carros elétricos vão além da economia com combustível. Muitos consumidores destacam a tecnologia embarcada, o conforto ao dirigir, o silêncio do motor e a redução da emissão de poluentes como diferenciais decisivos. Para frotistas e motoristas de aplicativo, o apelo é ainda mais pragmático. 

Além da redução nos custos de manutenção e da recarga elétrica mais barata que gasolina ou etanol, empresas de transporte por aplicativo têm oferecido incentivos específicos, como bônus, metas diferenciadas e programas de estímulo à eletrificação das frotas, tornando o investimento financeiramente mais atrativo.

Isenções e incentivos

Um dos principais impulsionadores desse avanço está na política tributária adotada pelo estado. Na Bahia, veículos 100% elétricos de até R$ 300 mil contam com isenção de IPVA. Já os modelos híbridos são beneficiados com alíquotas reduzidas, conforme regras definidas pela Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz). De acordo com a Sefaz, o benefício tributário já atinge mais de 4 mil carros no estado O incentivo reduz significativamente o custo de propriedade e tem impacto direto no momento da compra, sobretudo para consumidores que analisam o investimento no médio e longo prazo. 

“O crescimento é resultado de um conjunto de fatores complementares. A Bahia conta com a isenção de IPVA, um incentivo relevante para o consumidor. Além disso, o estado possui hoje a maior rede de eletropostos do Nordeste, o que traz segurança para o uso cotidiano. Soma-se a isso a inauguração da fábrica da BYD em Camaçari, um marco para a mobilidade elétrica nacional”, indicou Henri Karam, diretor de Veículos Leves da Associação Brasileira do Veículo Elétrico(ABVE).

Infraestrutura avança, mas ainda é desafio

Do ponto de vista do fornecimento de energia, a Neoenergia Coelba afirma que o sistema elétrico baiano tem capacidade para absorver o crescimento da frota de veículos elétricos. A distribuidora prevê R$ 13,3 bilhões em investimentos até 2027, voltados à ampliação de subestações e ao reforço das redes de distribuição. Ainda assim, o avanço da eletromobilidade esbarra na ausência de políticas públicas mais estruturadas, como tarifas específicas para recarga e programas governamentais capazes de acelerar de forma mais consistente a transição.

Paralelamente, a infraestrutura de recarga vem se expandindo, embora de maneira desigual. A instalação de eletropostos em shoppings, supermercados, condomínios residenciais e polos empresariais tem contribuído para ampliar o acesso. Segundo Henri Karam, Salvador já supera capitais como Belo Horizonte e Recife em número de pontos de recarga, além de cidades do interior paulista, como Ribeirão Preto e Campinas, o que indica maior maturidade e adesão do mercado local.

Apesar desses avanços, a rede de recarga ainda é considerada insuficiente fora dos grandes corredores urbanos de Salvador e da Região Metropolitana. A expansão dos pontos de recarga rápida aparece como prioridade, sobretudo para deslocamentos de longa distância e para o uso intensivo por motoristas profissionais que dependem do veículo como ferramenta de trabalho.

Camaçari e o peso da indústria 

O avanço da eletromobilidade na Bahia não se restringe à capital. Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, ganhou protagonismo nacional com a chegada da fábrica da BYD, uma das maiores montadoras de veículos elétricos do mundo. A instalação da unidade no Complexo Industrial de Camaçari representa um marco para a indústria automotiva baiana, reposicionando o estado como polo estratégico da transição energética no Brasil.

Além da geração de empregos diretos e indiretos, a fábrica estimula a formação de uma cadeia produtiva voltada à eletromobilidade, atrai fornecedores, fortalece a inovação tecnológica e influencia positivamente a percepção do consumidor local sobre os veículos elétricos.

GWM, a marca que une luxo e tecnologia

No mercado baiano, algumas montadoras já despontam como protagonistas desse avanço. Mas quando se fala em unir luxo, requinte e sofisticação, a GWM (Great Wall Motors) aparece entre as marcas mais bem posicionadas, com forte presença no segmento de veículos eletrificados de ponta. opções elétricas e híbridas.

Entre os modelos que mais atraem a cobiça do consumidor, está o Wey 07, que como o próprio nome sugere, tem capacidade para sete passageiros. Tudo nesse híbrido é de ponta: do couro premium que reveste os bancos ao sistema de navegação que parece saído de um filme futurista. E é com esse e outros modelo de alto padrão da marca que a concessionária Morena GWM, uma das principais do mercado local, se prepara para liderar o comércio de elétricos e híbribos no segmento classe A. A BYD, por sua vez, lidera o volume de vendas no estado, sustentada por uma estratégia agressiva de expansão, competitividade de preços e variedade de opções elétricas e híbridas, embora nenhum modelo da montadora instalada na Bahia alcance o nível de sofisticação de um GWM.

Resistência e desconfiança 

Apesar do crescimento acelerado, a adoção dos carros elétricos ainda enfrenta resistência por parte de uma parcela dos consumidores. Entre as principais preocupações estão a autonomia real dos veículos, o receio de ficar sem pontos de recarga em trajetos mais longos, dúvidas sobre o custo de substituição das baterias, valor de revenda e disponibilidade de assistência técnica fora dos grandes centros.

A falta de informação técnica e a percepção de que a infraestrutura ainda é limitada no interior do estado alimentam a desconfiança. Por isso, muitos motoristas optam por modelos híbridos como etapa intermediária antes de migrar definitivamente para o carro 100% elétrico.

Caminho sem volta

Mesmo com os desafios, os dados e os investimentos em curso indicam que a eletromobilidade deixou de ser tendência para se tornar realidade concreta na Bahia. Com Salvador figurando entre as capitais que mais vendem carros elétricos, Camaçari se consolidando como polo industrial e políticas públicas que incentivam a transição, o estado caminha para consolidar o protagonismo no Nordeste.

A combinação entre incentivos fiscais, expansão da infraestrutura, presença industrial e mudança no comportamento do consumidor aponta para um cenário em que o carro elétrico deixa de ser exceção, e passa a integrar, de forma definitiva, o cotidiano do trânsito baiano.