Jornal Metropole
Dever fora de caso: O Bahia está invicto longe da Fonte Nova

Movimentos militares no canal entre os golfos Pérsico e de Omã, por onde escoam cerca de 20% da produção mundial de petróleo, elevam o temor de crise econômica global no rastro da guerra no Irã

Foto: Folhapress/Folhapress
Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 19 de março de 2026
O Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, voltou ao centro do tabuleiro global — e não por acaso. Por ali passam aproximadamente 20% de todo o petróleo do mundo, e qualquer fio desencapado na região vira efeito dominó imediato na economia internacional. É nesse cenário que a escalada da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel ganha novos contornos, mais diretos e cada vez mais perigosos.
Nos últimos dias, ameaças de bloqueio e movimentações militares transformaram o estreito em zona de alerta máximo. O risco de interrupção no fluxo de petróleo já pressiona o mercado e acende um sinal vermelho em governos ao redor do mundo. Não é só geopolítica, é impacto direto no bolso.
Na União Europeia, o tom é de cautela. Países do bloco têm defendido a manutenção do fluxo no Estreito de Ormuz e evitado um alinhamento automático com a escalada militar, priorizando a estabilidade energética e a redução de riscos de uma crise econômica mais ampla. Já o Brasil acompanha o cenário com preocupação, sobretudo pelos efeitos indiretos no preço dos combustíveis e, por relação conexa, na inflação, mantendo uma postura diplomática mais neutra.
Escalada no Golfo
No campo militar, o tom também subiu. O Irã intensificou ataques contra alvos ligados aos Estados Unidos no Oriente Médio, com uso de drones e mísseis. Do outro lado, os norte-americanos responderam com reforço de tropas e aumento da presença no Golfo Pérsico, ampliando o perigo de confronto direto.
Guerra cada vez mais cara
Mas a guerra não pesa só no campo de batalha. Pesa — e muito — no caixa. Estimativas discutidas pelo Pentágono apontam que a ofensiva já custou mais de US$ 11 bilhões em menos de uma semana. Só nos primeiros dias, boa parte dessa montanha de dinheiro foi gasta em munições. A conta pode chegar a US$ 1 bilhão por dia, em um ritmo que reacende o fantasma de guerras longas, caras e politicamente desgastantes.
Há ainda sinais de que o conflito pode ter cruzado uma nova linha. Relatos indicam ataques a instalações de petróleo e gás dentro do Irã, atribuídos aos EUA em conjunto com Israel. Se confirmados, os bombardeios atingem diretamente o coração econômico iraniano e elevam o nível da crise.
Além da linha
O efeito já ultrapassou a região. Com o petróleo em alta, Estados Unidos anunciaram a liberação de reservas estratégicas para tentar conter os preços, uma medida emergencial que mostra o tamanho do impacto. Nos bastidores, cresce o temor de uma guerra mais difusa, com ataques indiretos, cibernéticos e ações por meio de aliados espalhados pelo Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam para um risco ainda maior: o de uma nova corrida nuclear, impulsionada pela lógica de que, diante da ameaça, ter poder de dissuasão virou regra do jogo. No fim das contas, o que está em curso não é apenas mais um conflito regional. É uma crise que mistura energia, poder militar e disputa de influência, com o Estreito de Ormuz no centro de tudo e o mundo inteiro acompanhando, de olho no próximo movimento.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.