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Paga, mas não leva: Zona Azul acaba com mínimo de duas horas em parte da orla da capital

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Paga, mas não leva: Zona Azul acaba com mínimo de duas horas em parte da orla da capital

Zona Azul extingue tarifa mínima de duas horas em parte da orla da capital e obriga usuários de estacionamento a pagar por seis ou até 12 horas, mesmo que não fique por tanto tempo

Paga, mas não leva: Zona Azul acaba com mínimo de duas horas em parte da orla da capital

Foto: Danilo Puridade/Metropress

Por: Laisa Gama no dia 27 de março de 2026 às 08:30

Atualizado: no dia 27 de março de 2026 às 10:31

Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 27 de março de 2026

Quem só queria parar o carro, dar um mergulho rápido ou resolver algo sem demora tem enfrentado uma surpresa pouco agradável na orla de Salvador. Em alguns pontos, a Zona Azul parece ter abandonado a lógica da rotatividade para funcionar apenas com ativações mais longas. Motoristas relatam que, em trechos entre a Boca do Rio e Piatã, ao longo da Avenida Octávio Mangabeira, não é mais possível estacionar por menos de seis horas, o que obriga o pagamento por um período maior mesmo quando a permanência será breve.

As queixas têm gerado desconforto principalmente entre quem pretende ficar pouco tempo na praia. Na capital, o estacionamento rotativo da Zona Azul possui diferentes modalidades de crédito de duas, seis ou até 12 horas, mas em partes específicas da orla as opções mais curtas deixaram de existir. Na prática, o motorista perde a possibilidade de pagar pelo tempo exato de permanência e precisa assumir um custo mais elevado.

Além da conta

O mesmo cenário também é relatado em outras áreas do litoral de Salvador fora do eixo Boca do Rio-Piatã. Em Stella Maris, por exemplo, predomina-se o regime mínimo de seis horas em pontos como a movimentada Avenida Beira-Mar. O que reforça a percepção de padronização dos períodos mais longos em regiões de lazer e maior fluxo de visitantes.

Como nada é tão ruim que não possa piorar, na Praia do Flamengo a extensão mínima vira máxima em determinados trechos da orla do bairro. Segundo relatos de usuários da Zona Azul ouvidos pela reportagem, há áreas onde o estacionamento funciona apenas com tarifa única válida por até 12 horas. Isso ocorre, sobretudo, nos períodos de maior movimento. Ou seja, durante o dia.

Fala, Transalvador!

A Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) esclarece que o período de 12 horas foi estabelecido em alguns trechos da Praia do Flamengo,devido à alta demanda por estacionamento durante o Verão. Trocando em miúdos, o órgão admite que, por causa do alto fluxo, decidiu arrecadar mais com um estacionamento público. A partir do próximo final de semana, com o fim da alta estação, os períodos de estacionamento voltam ao normal, segundo a Transalvador. Aí sim trechos da orla passarão a oferecer opção de múltiplas durações.

Ainda de acordo com a Transalvador, a adoção de prazos mínimos maiores em parte da orla levou em conta o perfil predominante dos usuários dessas regiões, já que muitos motoristas permaneciam por períodos superiores a duas horas e acabavam sendo notificados por esquecer a renovação do crédito. Uma “distração coletiva” que agora,garante o órgão, será resolvida com a ampliação obrigatória do tempo mínimo de estacionamento.

Menos é mais

Mas no fim das contas, o peso segue maior no bolso do contribuinte. Uma parada que antes poderia custar apenas R$ 3, valor da tarifa por duas horas de Zona Azul, acaba virando R$ 6 ou R$ 9, custo por seis e 12 horas, respectivamente, mesmo que o cidadão fique somente uma ou duas horas na praia ou em um dos bares, quiosques e restaurantes espalhados pela costa da cidade. Enquanto a configuração não é ajustada em todos os pontos, se isso de fato ocorrer um dia, estacionar na orla significa assumir uma despesa extra, ainda que por algo que não se consumiu.