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Nova multa de R$ 600 mil expõe rotina de sujeira e riscos à saúde no sistema ferry-boat

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Nova multa de R$ 600 mil expõe rotina de sujeira e riscos à saúde no sistema ferry-boat

Lixo acumulado, ratos, banheiros imundos e terminais sujos fazem parte do cotidiano de quem precisa usar os serviços de transporte marítimo da Internacional Travessias

Nova multa de R$ 600 mil expõe rotina de sujeira e riscos à saúde no sistema ferry-boat

Foto: Reprodução

Por: Laisa Gama no dia 23 de julho de 2026 às 10:30

Entra ano, sai ano, e os problemas do sistema ferry-boat continuam ganhando capítulos. Água potável sem controle adequado, falhas na limpeza, lixo armazenado de forma irregular e deficiência no controle de insetos e roedores - mais precisamente, baratas e ratos - estão entre as irregularidades encontradas pela Anvisa durante fiscalizações que renderam penalidades à Internacional Travessias, operadora do serviço de ligação marítima entre salvador e a Ilha de Itaparica. A mais nova, rendeu multa de R$ 600 mil.

Para mostrar que, apesar da nova multa, a sujeira no Ferry é coisa antiga, o Jornal Metropole puxou a ficha corrida da concessionária junto à Anvisa.  O levantamento da reportagem identificou ao menos oito processos administrativos contra a Internacional Travessias entre 2017 e 2025. Desses, seis foram instaurados após a agência encontrar problemas de higiene e condições sanitárias. Coisas que qualquer usuário conhece de cor. 

Ao longo dos últimos anos, passageiros vêm relatando com frequência nas redes sociais e em entrevistas à imprensa o roteiro da imundície: banheiros sujos, presença de baratas nas embarcações e nos terminais de São Joaquim (Salvador) e Bom Despacho Ilha), falta de limpeza em ambos e acúmulo de lixo. Também não são raros os relatos de usuários sobre a presença de ratos durante as travessias.

Concenssionária sob a mira do MP
O histórico de autuações também entrou na mira do Ministério Público da Bahia (MP). Em junho deste ano, o órgão converteu uma apuração preliminar em inquérito civil para investigar supostas irregularidades na prestação do serviço, especialmente quanto às condições de higiene, manutenção e funcionamento das embarcações do sistema ferry-boat.

A Internacional Travessias administra o Sistema Ferry-Boat sob regime de concessão desde junho de 2014, quando assumiu oficialmente a operação após vencer a concorrência promovida pelo governo da Bahia. Antes disso, desde março de 2013, operava o serviço por meio de um contrato emergencial firmado após a saída da concessionária TWB. Única participante da licitação, conquistou o  direito de explorar os ferries por 25 anos. A mudança de operador, no entanto, não afastou as reclamações dos usuários, que seguiram relatando filas, problemas nas embarcações e falta de estrutura.

A mais recente multa aplicada pela Anvisa à Internacional Travessias teve origem em uma fiscalização realizada em outubro de 2025. A penalidade foi fixada em R$ 600 mil e, segundo a decisão, levou em consideração a reincidência da concessionária. Ainda cabe recurso da decisão. Durante a inspeção, os fiscais encontraram água potável sem controle adequado, falhas na separação do lixo, armazenamento inadequado de resíduos oleosos, produtos de limpeza fracionados sem identificação e itens com prazo de validade vencido.

Longa ficha corrida
As irregularidades apontadas na fiscalização de 2025 repetem problemas já identificados pela Anvisa em anos anteriores. Em dezembro de 2020, a agência constatou que cinco embarcações operavam transportando passageiros com Certificados de Livre Prática (CLP) e Certificados Nacionais de Controle Sanitário de Bordo vencidos. A fiscalização envolveu os ferries Dorival Caymmi, Anna Nery, Ivete Sangalo, Rio Paraguaçu e Pinheiro.

Ainda em 2020, a Anvisa encontrou falhas na oferta de água potável, no gerenciamento do lixo, nas medidas para prevenir a proliferação de insetos e outros animais transmissores de doenças, na limpeza das instalações do terminal e na manutenção das áreas destinadas aos funcionários. As irregularidades já haviam sido alvo de notificações anteriores, mas, segundo a agência, não foram corrigidas.

Dois anos depois, pouca coisa havia mudado. Em nova fiscalização, a Anvisa concluiu que as condições de higiene dos dois terminais, São Joaquim e Bom Despacho, continuavam inadequadas. Os fiscais voltaram a encontrar problemas no descarte do lixo, na limpeza dos equipamentos e nas medidas para evitar a proliferação de insetos e outros animais que podem transmitir doenças.

Justificativas da concessionária rejeitadas
A Anvisa rejeitou a defesa da empresa. Segundo a decisão, os fiscais encontraram lixo espalhado e outros resíduos armazenados diretamente no chão, além de materiais que poderiam contaminar o ambiente sem a proteção adequada. Os fiscais também concluíram que a limpeza do terminal não dava conta do movimento de passageiros.

Embora tenha promovido diversas reuniões com a administração da empresa para discutir os problemas sanitários, a agência registrou que "apesar das promessas, nenhuma mudança foi verificada". Em decisão publicada neste ano, a Anvisa reconheceu a reincidência da Internacional Travessias ao analisar um processo relacionado ao armazenamento inadequado de resíduos e ao transbordamento de óleo na área de armazenamento de