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Quanto vale cada voto na briga para se eleger deputado federal ou estadual na Bahia

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Quanto vale cada voto na briga para se eleger deputado federal ou estadual na Bahia

Saiba quais são os números mágicos para que um candidato comece a sonhar com uma vaga na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa e por que há quem vença mesmo com baixa votação

Quanto vale cada voto na briga para se eleger deputado federal ou estadual na Bahia

Foto: Divulgação/Alba

Por: Duda Matos no dia 17 de setembro de 2026 às 07:00

Matéria originalmente publicada no Jornal Metropole de 17 de setembro de 2026

Quanto votos um candidato precisa ter para virar deputado estadual ou federal da Bahia em 2026? A resposta não é um número único. Para a Assembleia Legislativa, algo entre 45 mil e 55 mil deve colocar muitos concorrentes na zona de disputa, enquanto acima de 65 mil praticamente garante o interessado na cadeira de parlamentar. Na Câmara, a régua sobe: 75 mil a 95 mil votos já são suficientes para entrar na briga, e 120 mil ou mais assegura a vaga.

Mas há uma razão para essas faixas serem tão diferentes do número que normalmente aparece na apuração final. E ele se chama quociente eleitoral. O nome parece complicado, mas a lógica é relativamente simples. Trata-se de um número de referência para saber quantos votos, em média, correspondem a uma cadeira. 

Ele é calculado dividindo o número de votos válidos pelo total de vagas em disputa. Só entram nessa conta os votos dados aos candidatos e às legendas; brancos e nulos ficam de fora.

Ponto de corte

Ainda parece complicado? Vamos descomplicar. Imagine uma eleição com 10 cadeiras e 1 milhão de votos válidos. O quociente eleitoral seria de 100 mil votos. Isso não quer dizer que cada candidato precisará desse contingente para assegurar um lugar ao sol. 

Imagine agora que um partido isolado ou uma federação em que todos os concorrentes ou suas respectivas legendas recebam, juntos, 300 mil votos. Essa votação equivale a três vezes o quociente. Na distribuição inicial, garante três cadeiras. Essas vagas serão ocupadas pelos candidatos mais votados.

Vale o que pesa

É justamente aí que está a chave para entender a eleição proporcional: o eleitor vota em um candidato, mas aquele voto também ajuda a definir o tamanho da bancada de seu partido ou federação. Por isso, o quociente eleitoral não deve ser confundido com a quantidade de votos que um postulante a deputado precisa obter para ser eleito. A eleição de 2022 é uma boa demonstração disso.

Na disputa pela Câmara, o quociente eleitoral da Bahia ficou em torno de 204 mil votos. Ainda assim, houve deputado federal eleito com pouco mais de 53 mil votos. Na Assembleia Legislativa, o quociente ficou próximo de 126 mil votos, também muito acima da votação individual de vários que conquistaram vaga.

A diferença acontece porque a eleição proporcional distribui primeiro as cadeiras entre partidos e federações e, depois, dentro de cada grupo, entre os candidatos mais votados. As vagas que não são preenchidas nessa primeira etapa entram no cálculo das chamadas sobras eleitorais. 

Qual a conta na Assembleia

Na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), são 63 cadeiras. Para 2026, as projeções políticas indicam uma forte concentração das vagas nas maiores chapas. A federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, aparece com potencial de ganhar de 17 a 19 cadeiras. A União Progressista, junção do União Brasil e PP, de 10 a 12. O PSD aparece na faixa de 10 a 11. O Avante, entre sete ou oito.

PL e PDT trabalham com cinco ou seis cadeiras; Republicanos, de três a cinco; PSB, MDB e a federação PSDB-Cidadania aparecem em uma faixa menor: em média duas cadeiras, podendo chegar a três. Já a união entre Rede-Psol deve conquistará uma.

Em geral, uma chapa que consegue eleger muitos deputados tem espaço para candidatos com votações intermediárias e até baixas. Uma legenda que disputa poucas cadeiras precisa concentrar mais votos em seus principais candidatos.

Equação para entrar na Câmara

Na Câmara dos Deputados, a lógica é a mesma, mas a votação necessária é frequentemente maior. A Federação Brasil da Esperança, por exemplo, aparece com potencial para 10 ou 11 cadeiras. A União Progressista trabalha com oito ou nove. 

O PSD projeta aproximadamente sete. Republicanos pode chegar a quatro ou até cinco, enquanto PL aparece na faixa de três ou quatro. Avante e MDB trabalham com duas ou três vagas. PDT, PSB e PSDB-Cidadania disputam uma ou duas, e a federação Rede-Psol dificilmente elegerá deputado federal.

Novamente, o tamanho da chapa pesa. Um candidato com 80 mil votos pode estar na disputa dentro de uma federação que conquista dez cadeiras, mas enfrentar um cenário muito mais apertado em um partido que consegue apenas uma ou duas vagas.

Onde a eleição pode virar

A maior disputa deve acontecer nas faixas intermediárias. Na Alba, candidatos entre 45 mil e 55 mil votos devem brigar pelas últimas cadeiras de suas chapas. Na Câmara, essa zona deve ficar entre 75 mil e 95 mil votos.

É aí que entram as sobras. Depois da primeira distribuição das cadeiras, as vagas que restam são divididas de acordo com a votação de cada partido ou federação. Por isso, nem sempre quem tem mais votos individualmente é eleito. 

Um candidato pode receber uma votação maior e ficar de fora, enquanto outro, com menos votos, conquista uma vaga porque sua legenda teve um desempenho melhor. Na eleição proporcional, portanto, existem duas disputas ao mesmo tempo: a dos candidatos e a dos partidos e federações.