Justiça
PF diz que ‘Sicário’ tentou se matar após prisão em investigação sobre fraudes no Banco Master

Dono do Banco Master é investigado em operação da Polícia Federal que apura esquema bilionário de fraudes financeiras

Foto: Divulgação
A Justiça Federal em São Paulo decidiu nesta quarta-feira (4) manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro e determinou que ele seja encaminhado diretamente ao sistema prisional estadual após audiência de custódia realizada na capital, assim como o cunhado dele, Fabiano Zettel.
Ambos serão transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo. Com a decisão, os dois não retornaram à Superintendência Regional da Polícia Federal, onde estavam desde que foram presos pela manhã.
Eles chegaram ao prédio da Justiça Federal por uma entrada lateral, em viatura descaracterizada, escoltados por três veículos. Após a audiência, deixaram o local em carro não ostensivo.
A defesa de Vorcaro afirmou que ele sempre esteve à disposição das autoridades e negou qualquer tentativa de obstrução das investigações. Os advogados também contestaram as acusações e declararam confiar que o devido processo legal demonstrará a regularidade da conduta do empresário.
Já a defesa de Fabiano Zettel informou que, apesar de ainda não ter tido acesso integral às investigações, ele permanece à disposição das autoridades.
As prisões integram a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos atribuídas a uma organização criminosa. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que assumiu a relatoria do caso em fevereiro.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema envolve a suposta comercialização de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação faz referência à ausência de mecanismos eficazes de controle interno nas instituições investigadas para prevenir crimes financeiros e manipulação de mercado.
Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular no aeroporto de Guarulhos. Na ocasião, a PF sustentou que havia risco concreto de fuga.
Além de Vorcaro e Zettel, também foram alvos da operação o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
A Justiça ainda determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio de bens que pode chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo e preservar valores supostamente relacionados às irregularidades.
Vorcaro era esperado para prestar depoimento nesta quarta-feira à CPI do Crime Organizado, em Brasília. Contudo, o ministro André Mendonça havia decidido na terça-feira (3) que a presença do empresário na comissão seria facultativa.
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