
Justiça
Relatório cita movimentações entre Deolane e cunhada de Marcola
Investigação aponta conexões financeiras entre a influenciadora e pessoas ligadas ao entorno familiar da cúpula do PCC; defesa nega irregularidades

Foto: Reprodução/ Redes Sociais
O relatório da investigação que fundamentou os pedidos de prisão preventiva na Operação Vérnix aponta movimentações financeiras que, segundo os investigadores, conectariam a influenciadora e advogada Deolane Bezerra a pessoas ligadas ao entorno familiar e financeiro da cúpula do PCC.
Entre os nomes citados no documento está Francisca Alves da Silva, identificada pela investigação como esposa de Alejandro Camacho, irmão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como liderança da facção criminosa. Segundo o relatório, Francisca apareceu em levantamentos paralelos compartilhados entre diferentes frentes investigativas e em cruzamentos financeiros realizados por órgãos de inteligência.
A investigação afirma que a cunhada de Marcola teria realizado transações diretas ou indiretas com Deolane. Em um dos trechos do documento, os investigadores registram que “Francisca Alves da Silva, como pessoa física ou pessoa jurídica, manteve transações com Leonardo Camacho, assim como Deolane Bezerra Santos”.
As informações fazem parte de análises técnicas do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), responsável por consolidar cruzamentos bancários e patrimoniais durante a apuração.
De acordo com o relatório, o foco dos investigadores não é apenas a existência de transferências financeiras isoladas, mas a formação de uma rede de relacionamento econômico entre pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados. A apuração busca identificar possíveis mecanismos de integração patrimonial, prática usada, segundo a investigação, para dificultar o rastreamento de recursos e dar aparência legal às movimentações financeiras.
O documento também menciona análises de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), que apontariam operações envolvendo contrapartes consideradas de risco e com histórico investigativo relacionado a organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Apesar das citações, a investigação trata as movimentações financeiras como elementos indiciários dentro do conjunto probatório apresentado à Justiça, e não como prova definitiva de crimes.
Resposta da defesa
A defesa de Deolane afirmou que a influenciadora “conhece muita gente e circula em muitos meios”, mas que isso não pode ser interpretado como elemento de responsabilização criminal.
Os advogados sustentam que todos os valores atribuídos à influenciadora possuem origem lícita e estão devidamente declarados, incluindo quantias recebidas no início da investigação, que, segundo a defesa, correspondem a honorários advocatícios.
A defesa também alegou que não teve oportunidade de prestar esclarecimentos durante os quatro anos de investigação e afirmou que pretende comprovar judicialmente a origem de todos os recursos citados no processo.
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