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Justiça aceita pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, que deve R$ 17,3 bilhões

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Justiça aceita pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, que deve R$ 17,3 bilhões

Varejista terá 30 dias para corrigir pendências na documentação; perícia aponta queda de 35,3% nas vendas digitais entre julho e agosto

Justiça aceita pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, que deve R$ 17,3 bilhões

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 21 de outubro de 2026 às 15:40

Atualizado: no dia 21 de outubro de 2026 às 16:34

A Casas Bahia teve o pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo nesta quarta-feira (21), mas precisará regularizar documentos em até 30 dias. A empresa busca renegociar uma dívida de R$ 17,3 bilhões com mais de 28 mil credores.

A decisão da juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), aponta que ainda é necessário detalhar separadamente o fluxo de caixa das seis empresas do grupo e atualizar a relação de credores.

A magistrada considerou que as falhas identificadas podem ser corrigidas e não impedem o andamento do processo. “Trata-se de pendências identificadas, delimitadas e passíveis de esclarecimento ou complementação, e não de vícios que inviabilizam, por si sós, o processamento da recuperação judicial”, afirmou.

A Justiça também manteve a proteção de 180 dias contra cobranças e execuções de dívidas, conhecida como stay period. A medida havia sido concedida em agosto, quando a varejista relatou uma “corrida de credores contra o patrimônio” após o início do processo de reestruturação.

A AJ Ruiz Consultoria Empresarial foi nomeada administradora judicial e deverá avaliar se há necessidade de prorrogar o prazo de proteção.

Perícia aponta retração nas operações

A crise da varejista é atribuída pela própria empresa aos juros elevados, à restrição de crédito e à pressão sobre o consumo. Como parte dos ajustes, o grupo fechou quase 300 lojas e demitiu cerca de 3 mil funcionários.

Um levantamento realizado pela ACFB Administração Judicial, a partir de visitas a 744 lojas e 29 centros de distribuição, identificou sinais de redução das operações. O relatório apontou estoque menor, áreas ociosas em alguns centros logísticos e uma redução de 4,6 mil funcionários em agosto.

A análise também encontrou atividade irregular em nove lojas e três centros de distribuição. Apesar disso, a perícia constatou que o grupo continua operando normalmente em parte de sua estrutura e que a fábrica de móveis Bartira mantém as atividades.

Nos testes realizados nos canais digitais, sete compras foram concluídas com entregas dentro dos prazos informados pela empresa. O relatório, porém, registrou uma queda de 35,3% no valor das vendas on-line entre julho e agosto.

No mesmo período, o número de pedidos digitais caiu de 1.068.648 para 706.335, uma redução de 33,9%, segundo o documento. A Casas Bahia apresentou o pedido de recuperação judicial em agosto, diante das dificuldades financeiras.