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Mais de 90% das mulheres têm medo da violência no Brasil, diz pesquisa

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Mais de 90% das mulheres têm medo da violência no Brasil, diz pesquisa

Levantamento mostra que 78% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência; quase metade relata ter recusado oportunidades de trabalho ou estudo por medo

Mais de 90% das mulheres têm medo da violência no Brasil, diz pesquisa

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 16 de setembro de 2026 às 16:37

O medo da violência já interfere em decisões que vão muito além da escolha de um caminho para voltar para casa. Para 78% das mulheres ouvidas em uma pesquisa nacional, propostas de combate à violência e ao assédio contra mulheres nas ruas e no transporte público devem ser consideradas na hora de decidir o voto.

O dado faz parte do levantamento “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre violência”, realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber. A pesquisa mostra que a insegurança está presente na rotina de 94% das mulheres no país.

A percepção de risco também aparece associada a experiências concretas. Segundo o levantamento, 78% das mulheres afirmam já ter passado por algum tipo de violência, principalmente psicológica.

Entre os homens, 84% relatam sentir insegurança diante da violência no cotidiano. Quando a situação envolve deslocamentos pela cidade, os percentuais se aproximam: 94% das mulheres e 90% dos homens dizem sentir medo.

Rotina limitada pelo medo

A insegurança altera hábitos de lazer, transporte, trabalho e estudo. Quase todas as mulheres entrevistadas, 98%, afirmam adotar pelo menos uma estratégia para tentar reduzir o risco de sofrer violência.

Evitar determinados lugares é a medida mais frequente, mencionada por 90% das entrevistadas. Outras mudanças incluem deixar de usar o celular na rua, não compartilhar informações pessoais ou localização nas redes sociais, avisar alguém sobre deslocamentos e horários e evitar sair à noite.

O impacto também aparece nas escolhas sobre onde circular. Cerca de 62% das mulheres afirmam já ter mudado hábitos de lazer por medo da violência, enquanto 58% deixaram de frequentar locais de que gostavam. Já 56% optaram por algum meio de transporte mesmo quando poderiam fazer o trajeto a pé.

As consequências chegam à vida profissional e acadêmica. Segundo a pesquisa, 45% das entrevistadas já deixaram de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo por receio da violência. Outras 44% chegaram a considerar uma mudança de bairro ou de cidade para se sentirem mais seguras.

Onde o medo é maior

A sensação de insegurança varia conforme o espaço frequentado. Em bares, festas e baladas, 41% das mulheres dizem não se sentir nada seguras. Em pontos de ônibus e estações, o percentual sobe para 42%. Dentro do transporte público, 33% têm a mesma percepção.

A violência doméstica também está entre as principais preocupações: seis em cada dez mulheres afirmam temê-la. Na avaliação da população, as mulheres são vistas como mais vulneráveis do que os homens a diferentes formas de violência, incluindo as agressões domésticas, sexuais, psicológicas e físicas.

Avaliação das instituições

A pesquisa também investigou como as mulheres avaliam a atuação do poder público e das forças de segurança no enfrentamento da violência. As polícias Militar e Civil foram citadas por 73% das entrevistadas. Governos federal e estaduais aparecem com 69% cada, enquanto os municípios foram mencionados por 66%.

Apesar disso, a percepção sobre a atuação das instituições é majoritariamente negativa. O Legislativo concentra 74% de avaliações desfavoráveis. Na sequência aparecem os governos estaduais, com 72%, e os poderes Judiciário e Executivo federal, ambos com 71%.

Entre as medidas consideradas mais importantes pelas entrevistadas estão a ampliação dos canais de denúncia e de apoio às vítimas, apontada por 95%, e melhorias na infraestrutura urbana, como transporte público, iluminação e espaços públicos, citadas por 93%.

O levantamento ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, em todas as regiões do Brasil, entre 22 e 30 de abril de 2026. As entrevistas foram realizadas digitalmente, por autopreenchimento, e a margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.