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Grupo de investidores baianos do Banco ICA teme sofrer golpe similar ao do Master e Naskar

Instituição financeira digital que prometia lucros bem acima do mercado deixou de pagar rendimentos aos clientes desde abril e impediu saques do valor aplicado por eles

Foto: Reprodução
Em um roteiro que tem sido comum no Brasil, investidores baianos que aportaram grandes quantias de dinheiro no Banco ICA temem perder todo o montante aplicado, por meio de um esquema semelhante ao dos bancos Master e Naskar, cujas fraudes lesaram milhares de pessoas e levaram o Banco Central a liquidá-los extrajudicialmente. De acordo com relatos feitos à Metropolítica por clientes com investimentos junto ao ICA, desde abril eles pararam de receber os rendimentos sobre os valores investidos e nem conseguem sacar o montante aplicado.
Cheirinho de cilada
Ao buscar informações sobre os motivos para a retenção da quantia, perceberam a iminência do golpe. "As justificativas do ICA são bem evasivas. Fui informado que a instituição está passando por uma reestruturação e os repasses estão suspensos. Depois me avisaram que no início de agosto eu receberia uma confissão de dívida e que o dinheiro seria pago até o final deste mês. Recebi a tal confissão, mas o documento não dizia nada sobre devolução do que eu investi", afirmou um dos investidores ouvidos pela coluna.
Blá-blá-blá e tró-ló-ló
Ao invés de formalizar a dívida, o documento, ao qual a Metropolítica teve acesso, cita apenas a criação de um fundo para que, quando ele estiver estruturado, sem definição de prazo, o montante investido por cada cliente será transformado em cota do mesmo fundo. "A confissão de dívida não diz nada sobre a data em que o valor será resgatado. E mais: estabelece prazo de 120 dias para que eu não reclame o dinheiro na Justiça, denuncie à imprensa, à polícia ou ao Ministério Público", emendou outro cliente lesado pelas operações do Banco ICA, que se apresenta também como ICA Bank nas redes.
Fio condutor
Em comum, todos os investidores entrevistados apontam uma empresária baiana com acesso a colunas sociais, sites especializados na cobertura da high society e pessoas com alto poder aquisitivo de Salvador como uma das responsáveis por captar clientes, com a promessa de rendimentos a taxas bem acima das que são praticadas pelo mercado financeiro. Após a suspensão dos repasses, entraram em contato com a empresária, mas esbarraram nas alegações de que ela também está com investimentos retidos e que seria necessário aguardar a reestruturação do Banco ICA.
Perfil ostentação
"O que dá para dizer é que essa empresária, enquanto diz que também está sem dinheiro, fica ostentando uma vida de alto padrão nas redes sociais, com fotos de carros, jóias e jantares com celebridades em restaurantes caros", relatou mais um dos investidores do ICA.
Rede de arrasto
Em busca feita na página do Reclame Aqui na tarde desta quinta-feira (13), foram encontradas 432 reclamações semelhantes contra o banco, quase todas registradas a partir de abril, quando os rendimentos deixaram de ser pagos e os clientes ficaram impedidos de sacar o valor investido, além de dificuldades para acessar o aplicativo do ICA ou de obter resposta.
Perdas e danos
Entre os casos recentes protocolados no Reclame Aqui, maior plataforma do país na solução de conflitos entre consumidores e empresas, está o de um cliente do ICA no Rio de Janeiro que aplicou R$ 850 mil em 25 junho de 2025, com promessa de rendimentos de 3% ao mês. No começo, os repasses ocorreram normalmente, segundo o investidor. Até que, cerca de quatro meses atrás, os repasses foram interrompidos, sem aviso prévio ou comunicação individual.
Piloto automático
Nos casos em que o banco responde às queixas, o tom adotado pelo ICA é igual ao que foi relatados pelos investidores da Bahia: "Quanto aos valores pendentes, informamos que as operações em aberto estão sendo tratadas no âmbito do processo de reorganização, sendo que as informações e os procedimentos relativos à regularização serão disponibilizados aos investidores por meio dos canais oficiais da companhia".
Pé de barro
A história do Banco ICA - fundado pelos irmãos Mayanna, Julianne e Fábio Lyra - se confunde com a de outras fintechs semelhantes, surgidas a reboque do boom de instituições financeiras digitais, a exemplo dos bancos Master e Naskar. Estes também prometiam rendimentos bem maiores que os concorrentes do mercado tradicional, mas sem qualquer lastro futuro. Algo muito próximo ao esquema de pirâmide. No fim, os donos dos dois bancos foram presos, mas o dinheiro aplicado pelos clientes simplesmente evaporou. A coluna procurou o ICA, mas não obteve retorno até o momento.
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