Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Mundo

Guga Chacra analisa desdobramentos da nova geopolítica mundial em livro

Jornalista avalia impactos da pandemia e organização de forças políticas

[Guga Chacra analisa desdobramentos da nova geopolítica mundial em livro]
Foto : Reprodução/Globo News

Por Matheus Simoni no dia 04 de Dezembro de 2020 ⋅ 13:33

O jornalista e comentarista político Guga Chacra lançou o livro "Confinado no front: Notas sobre a nova geopolítica mundial", que narra os principais passos da evolução da Covid-19 desde os primeiros casos na cidade chinesa de Wuhan até a doença tomar conta de todo o planeta. Em entrevista a Mário Kertész hoje (4) na Rádio Metrópole durante o Jornal da Metrópole no Ar, ele afirmou que o livro terá um misto de observação pessoal do posto de correspondente em Nova York com os principais fatos e discussões a respeito da crise que atingiu todos os países do mundo.

"É um livro que, basicamente, pega o retrato momentâneo da pandemia, tanto como foi a experiência aqui em Nova York que foi, junto com Bergamo na Italia, Madrid ou Manaus, a grande cidade do mundo mais impactada pela pandemia, especialmente no mês de abril, quando morriam quase mil pessoas por dia na cidade de Nova York. Se pegar os subúrbios, o número sobe ainda mais. Na época, hoje três mil nos EUA inteiro, morriam no mês de abril quase dois mil, mas a quase totalidade era em Nova York e nos subúrbios que ficam em estados vizinhos, como Nova Jersey, Conectitut e também no próprio estado de Nova York. Era tudo concentrado aqui", afirmou o jornalista.

Questionado por MK sobre a nova cara da política internacional, Guga citou a derrota de Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos como um momento-chave para a mudança do cenário internacional. "Houve uma mudança, o populismo vinha crescendo, mas enfraqueceu ao longo da pandemia. Afinal, o maior nome desses líderes populistas pedeu a eleição nos EUA e perdeu por causa do comportamento dele na pandemia. Ele teria, muito provavelmente, sido reeleito presidente americano se não fosse o comportamento negacionista dele durante a pandemia. Mas nem todos os populistas foram negacionistas. Trump foi, Lopez Obrador no México foi, Maduro na Venezuela foi e o Bolsonaro no Brasil foi também. Outros não. Orbán, na Hungria, não teve comportamento negacionista. Pelo contrário, ele até endureceu mais e teve atitudes de rigidez em relação ao lockdown e essas questões durante a pandemia", avaliou o comentarista.

Guga Chacra também citou que o presidente Bolsonaro poderia ter se saído melhor na pandemia se tivesse seguido as orientações do próprio Ministério da Saúde do país. "O Brasil tinha uma equipe no Ministério da Saúde muito preparada, começou agindo corretamente, porém Bolsonaro acabou decidindo seguir o caminho do presidente Trumpo nos EUA. Uma pena, porque o Brasil tinha uma equipe e tudo preparado, poderia até ter saído mais fortalecido. Até porque, ninguém culpa governante por crise econômica na pandemia. Todo mundo sabe que a crise econômica não é causada pelo governo nesse caso e sim por um vírus. Claro que todo mundo avalia como o governo está lidando com o vírus", disse.

"A próxima etapa é a questão da vacinação. Todo mundo vai comprar, a gente sabe que no Reino Unido vai começar a vacinar e EUA também. Tudo bem, são países mais avançados que o Brasil. Mas a gente sabe que o México, que é um país do mesmo patamar que o Brasil, tá pra começar também", acrescentou.

Ainda segundo o jornalista, mesmo com a derrota nas urnas para Joe Biden, Donald Trump ainda pode reunir condições de disputar as eleições de 2024. No entanto, ele precisaria enfrentar a rejeição dos membros do próprio partido. "[Trump] pode tentar, mas ele vai ter um grande obstáculo pela frente, que são as primárias republicanas. Ele agora tem o poder e a caneta na mão. Mas a partir do dia 20 de janeiro, ele não é o presidente. Os políticos republicanos que estão com Trump porque ele hoje é o presidente, eles têm ambições pessoais também. Eles vão querer ser candidatos e têm um discurso simples contra Trump, por causa do comportamento dele", comentou Chacra. 

Notícias relacionadas

[Terremoto deixa 35 mortos na Indonésia]
Mundo

Terremoto deixa 35 mortos na Indonésia

Por Adele Robichez no dia 15 de Janeiro de 2021 ⋅ 09:05 em Mundo

Além das mortes, o tremor causou ferimentos em dezenas de pessoas e milhares tiveram que sair das suas casas