Sexta-feira, 20 de maio de 2022

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Pesquisadora defende importância de lembrar holocausto e critica onda negacionista

27 de janeiro é o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Pesquisadora defende importância de lembrar holocausto e critica onda negacionista

Foto: Reprodução

Por: Gabriel Amorim no dia 27 de janeiro de 2022 às 10:15

Vinte sete de janeiro é lembrado como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Na Rádio Metropole, Mário Kertész entrevistou a professora e pesquisadora Maria Luiza Tucci Carneiro,  que explicou porque ainda existem aqueles que negam a existência do genocidio contra os judeus. “Em primeiro lugar existe uma falta de informação. Temos uma educação cada vez mais frágil e a divulgação de informações propositalmente deturpadas. Por isso, o negacionismo tem ganhado espaço, assim como as ações de neonazistas, que tem ganhado tanta força nesses últimos três anos”, acredita a professora.

Durante a entrevista, Kertész questionou a professora sobre o papel de Aracy Guimarães Rosa, esposa do escritor brasileiro João Guimarães Rosa, que atuou como chefe do setor de passaportes na Embaixada Brasileira em Hamburgo, na Alemanha. 

A história de Aracy foi contada recentemente na série ‘Passaporte para Liberdade’, da Globoplay, e teve sua veracidade questionada inclusive por dois historiadores. “São historiadores mal informados, não podemos generalizar. A negação da história da série é totalmente sem fundamento. A série é baseada em pesquisa. De fato, a lista de judeus salvos por Aracy é uma lista incompleta. Ela é realmente reconhecida como uma justa salvadora de judeus. Negar os testemunhos é colaborar para o negacionismo”, disse.

A professora destacou ainda o papel da mulher do escritor principalmente por depoimentos de pessoas salvas. “A Aracy escondeu pessoas em sua casa, transportou pessoas no próprio carro diplomático, chegou a fornecer falsos documentos para ajudar essas pessoas a conseguir vistos no próprio consulado. Esses testemunhos não podem ser negados. Precisam ser divulgados, essa data é simbólica. Nós devemos lembrar sim, as dificuldades, e quanto que cada um desses  vistos eram também vistos para vida. Inúmeras pessoas foram salvas”, detalhou. 

A atuação de Aracy conseguiu furar um posicionamento velado do Brasil que, por meio de circulares secretas proibia a concessão de vistos brasileiros para judeus. Um levantamento feito pela professora aponta, registros oficiais de cerca de 17 mil vistos negados. Para conseguir entrar era preciso disfarçar a condição de judeu.  

“Eram cientistas, artistas, intelectuais, que tiveram uma formação de primeira na Europa, perderam seus cargos, perderam familiares e encontraram refúgio aqui no Brasil. Mas conseguiram como católicos, como turistas, com documentos falsos, diante de uma posição, ainda que secreta, de antissemitismo do Brasil”, diz a professora que agora coordena uma pesquisa para identificar o legado deixado por esses judeus no Brasil.

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