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Blay fala sobre ‘Europa hipnotizada’ e novos ditadores no mundo: ‘Democracia não é só voto’

Os ditadores têm voltado ao poder através do voto popular

[Blay fala sobre ‘Europa hipnotizada’ e novos ditadores no mundo: ‘Democracia não é só voto’]
Foto : Reprodução / Youtube

Por Alexandre Galvão no dia 06 de Novembro de 2019 ⋅ 13:53

Jornalista e escritor, Milton Blay lança seu novo livro:  “Europa Hipnotizada”. Na obra, ele fala sobre a desintegração da União Europeia. Segundo ele, vítima do “populismo e do nacionalismo da extrema-direta”. 

“Está tomando todos os países da Europa, como Alemanha, Áustria, Itália. É preocupante e eu digo Europa hipnotizada, pois não percebemos a tempo o que estava acontecendo. Hoje estamos hipnotizados frente ao que está acontecendo”, afirmou, em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole

Ainda de acordo com Blay, os ditadores têm voltado ao poder através do voto popular. “Os ditadores de hoje são levados ao poder através do voto. Vamos relembrar o que aconteceu no passado. Hitler chegou ao poder pelo voto, Mussolini também. Aqui na França o governo do marechal Pétain, presidente que colaborou com o nazismo, foi eleito constitucionalmente, pelo parlamento que votou pela auto-dissolução e plenos poderes para ele”, relembra. 

O jornalista explica, no entanto, que a democracia não se constitui apenas pelo voto popular. “A democracia significa também o respeito ao Estado de Direito. E quando se fala em Estado de Direito, fala em supremacia de lei e direitos humanos. A defesa é fundamental na democracia e essencial para que qualquer governo seja democrático. Muitos países hoje não são mais democráticos, não vivem sob ditadura, mas estão próximos”, apontou. 

Steve Bannon, Olavo de Carvalho e Globalismo – Um fator que contribuiu para a desestabilização de democracias, crê Milton, é a disseminação de um pensamento conservador que se associa à extrema-direita. Parte desse contexto se irmana a outros preconceitos, como o fomentado pela Ku Klux Klan (KKK), uma organização terrorista e racista que surgiu nos Estados Unidos, no século XIX, e ficou marcada por ser a maior organização do tipo na história desse país.

“O Steve Bannon dá risada quando perguntam se ele é neonazista. Ele ri. No entanto, as pessoas esquecem que ele foi apoiado pelo KKK. O primeiro objetivo do Bannon é fazer com que governos extremistas tomem conta da Europa, é o que está pouco a pouco acontecendo”, acredita. 

Ex-colega de trabalho de Olavo de Carvalho, guru de parte da direita do Brasil e do presidente Jair Bolsonaro, Blay lembrou que o hoje autointitulado filósofo recorria a colegas para fazer mapa astral. “Eu conheci Olavo quando ele passava de mesa em mesa querendo fazer o mapa astral dos jornalistas. Agora sim, ele já foi do partido comunista e agora se parou como ‘antiglobalista’”.

 “O globalismo que eles chamam é o marxismo cultural, a base. O marxismo cultural é essa história de direitos humanos, do Estado de Direito. Nada disso deve existir, segundo eles. O globalismo vinha, segundo eles, da Revolução Francesa. Veja só, o marxismo cultura veio antes mesmo de Marx (risos). Tem gente aqui e aí que diz que não foi durante a revolução francesa que nasceu esse liberalismo politico, mas no Iluminismo. veja só a loucura, segundo esse pessoal, Kant, Voltaire, Montesquieu e Rousseau eram marxistas culturais e devem ser combatidos. Querem acabar até com o Século das Luzes”, explicou.

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