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Popularidade de Bolsonaro não reflete credibilidade do governo, diz Gilberto Rodrigues

Segundo o Datafolha, em censo divulgado hoje (14), a avaliação foi a mais positiva desde que Bolsonaro que iniciou seu mandato, em janeiro de 2019.

[Popularidade de Bolsonaro não reflete credibilidade do governo, diz Gilberto Rodrigues]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 14 de Agosto de 2020 ⋅ 12:53

O professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, Brasil, e pós-doutor (Fulbright Visiting Scholar) em Direitos Humanos pela Universidade de Notre Dame (EUA) Gilberto Rodrigues comentou a pesquisa que aponta alta na popularidade do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). Segundo o Datafolha, em censo divulgado hoje (14), a avaliação foi a mais positiva desde Bolsonaro que iniciou seu mandato, em janeiro de 2019.

Em entrevista a Mário Kertész hoje (14), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, ele declarou que a popularidade contrasta com a falta de informações que a população tem do governo. "Quando o governo federal decidiu que não iria mais fazer coletivas diárias para mostrar os números por entender que isso seria ruim e afetaria, é um direito do cidadão conhecer essa realidade. É fundamental. Com isso, criou-se o consórcio de imprensa para poder trazer os números. Isso é uma aberração do ponto de vista da democracia brasileira que a gente não possa confiar nos dados do Ministério da Saúde, um dos ministérios mais confiáveis que temos, independente de quem esteja no governo. Hoje a gente não pode mais confiar", afirmou o especialista. 

Para Rodrigues, a credibilidade do governo continua afetada diante das ações de Bolsonaro. O reflexo é visto tanto internamente como no exterior.

"Um dos capitais mais importantes do governo é sua credibilidade perante a opinião pública. Interna e internacionalmente. Eu penso que essas pessoas que continuam apoiando o governo Bolsonaro, inclusive aumentando agora esse apoio, não estão acompanhando de perto as notícias. Uma parte são os negacionistas, mas eu entendo que não constitui esse mesmo número. É muito menos. São negacionistas da ciência e da realidade. Algo realmente que a gente precisa entender e é difícil aceitar que, nesse momento de catástrofe sanitária que estamos vivendo, o apoio ao presidente mude", disse o professor. 

Gilberto Rodrigues também comentou as denúncias contra Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional de Haia por genocídio contra indígenas e profissionais de saúde. "A última denúncia foi feita por um consórcio de sinsidcato de profissionais de saúde. Essas denúncias têm que ser avaliadas pela procuradoria geral para se transformar em investigação. Por enquanto, isso não acontecer. Essas denúncias que não são pequenas, poucas e irrelevantes estão minando a credibilidade do governo ainda mais do que estava minada antes da pandemia, com ações contrárias à democracia e governância", declarou. 

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