
Política
"Há muito no bolsonarismo que se aproxima ao modelo fascista", diz especialista à Rádio Metropole
Manuel Loff foi entrevista nesta sexta-feira (21)

Foto: Reprodução/ Metopress
O pesquisador português Manuel Loff, especialista em fascismo e neofascismo, comentou sobre o aspecto autoritário da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL) em entrevista à Rádio Metropole nesta sexta-feira (21).
“Enquanto pesquisador eu entendo que há muito no bolsonarismo, na linguagem política de Jair Bolsonaro e no discurso que é feito em torno dele, que é próximo ao modelo fascista”, afirmou.
Loff elencou alguns aspectos que aproximam a atual gestão de experiências autoritárias antigas, como as que aconteceram na Alemanha e na Itália, nos governos de Hitler e Mussolini, respectivamente, e mais recentes, como ocorre na Hungria, de Órban.
“Ele coloca em questão o funcionamento do sistema democrático, gerando uma dúvida permanente sobre a qualidade da democracia no país. Há sempre insinuações de que o sistema é corrupto e de que há forças políticas que dominam o processo eleitoral e se opõem aos seus projetos”, explicou o historiador.
Segundo ele, isso é feito com uma linguagem “permanentemente conspiracionista” e que acaba desviando a atenção da discussão aberta sobre problemas essenciais para a população, como pobreza, saúde e educação pública.
“Essas conspirações alimentam fake news e discurso de ódio, evitando o debate democrático e intensificando o discurso punitivista", disse o pesquisador. “Ele não pretende discutir problemas, mas castigar pessoas e demonizar o adversário”, completou.
O especialista ainda descreveu que a democracia não é apenas o direito ao voto pela população, relembrando regimes autoritários que realizavam eleições. Sobre o resultado do segundo turno do embate presidencial, Manuel Loff expressou não acreditar que Jair Bolsonaro consiga rever os votos que não recebeu no dia 2. Ele afirmou ainda que esse pleito marca uma transição ao país à intensificação ou à mudança de regime. “O resto do mundo está com os olhos postos no Brasil”, completou.
Acompanhe a entrevista completa:
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