Política

Delação premiada de ex-deputado cita FHC, Lula e irmã de Aécio

Negociada há cerca de oito meses, a delação premiada do ex-deputado federal e ex-presidente do PP Pedro Corrêa cita políticos da oposição e do governo com a Procuradoria Geral da República (PGR). [Leia mais...]

[Delação premiada de ex-deputado cita FHC, Lula e irmã de Aécio ]
Foto : Reprodução / O Globo

Por Matheus Morais no dia 25 de Março de 2016 ⋅ 10:26

Negociada há cerca de oito meses, a delação premiada do ex-deputado federal e ex-presidente do PP Pedro Corrêa cita políticos da oposição e do governo com a Procuradoria Geral da República (PGR). Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o pepista mira o atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes em um dos trechos. Ele afirmou que quando Nardes era deputado federal, recebeu propina arrecadada por José Janene (já falecido) junto à Petrobras e outros órgãos com diretorias indicadas pelo PP. Corrêa lembra que, quando Nardes foi nomeado ministro do TCU, em 2005, foi destruído um recibo que comprovava o pagamento da propina. Era, segundo Corrêa, um recibo de valor "baixo", algo entre R$ 10 mil e R$ 20 mil.

Entre os operadores de propina apontados por Corrêa, está a irmã do senador Aécio Neves (PSDB) Andrea Neves. Segundo o ex-deputado, ela era responsável por conduzir movimentações financeiras ligadas ao tucano. A citação a ela é a primeira numa lista que inclui nomes como Marcos Valério, operador do mensalão, e Benedito Oliveira, o Bené, investigado na Operação Acrônimo, que apura suspeitas de irregularidades na campanha de Fernando Pimentel (PT) ao governo de Minas Gerais, no ano de 2014.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também é citado na delação. Segundo Corrêa, FHC teve o apoio financeiro do empresariado para aprovar seu projeto de reeleição. Olavo Setubal, do Banco Itaú, morto em 2008, é mencionado como alguém que ajudou FHC. 

Um dos fatos apontados sobre Lula foi uma reunião dele com o ex-presidente e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, além do presidente da Petrobras na época, José Eduardo Cardozo, para aceitar a noemação de Costa para a diretoria para a estatal. Outros parlamentares aceitaram a nomeação, Dutra, sob pressão do PT, era contra. Corrêa disse, porém, que Lula atuou em nome do indicado e revelou detalhes da conversa.

"Mas Lula, eu entendo a posição do conselho. Não é da tradição da Petrobras, assim, sem mais nem menos trocar um diretor", disse Dutra, na época presidente da estatal. Segundo Corrêa, Lula respondeu: "Se fossemos pensar em tradição nem você era presidente da Petrobras e nem eu era presidente da República", teria dito.

De acordo com o relato, 15 dias depois deste diálogo, com a nomeação de Costa, o PP destravou a pauta do Congresso Nacional.

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