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Coronel, da ascensão à ruptura

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Coronel, da ascensão à ruptura

Da condição de figurante do carlismo ao centro do poder petista, senador rompe com aliados históricos e retorna ao campo da oposição na política baiana

Coronel, da ascensão à ruptura

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Por: Jairo Costa Júnior e Victor Quirino no dia 01 de fevereiro de 2026 às 15:29

Atualizado: no dia 01 de fevereiro de 2026 às 17:01

Personagem da mais recente ruptura na política baiana, o senador Ângelo Coronel (PSD) era um nome sem muita expressão desde que deixou a prefeitura de Coração de Maria, sua cidade natal, para assumir o primeiro mandato como deputado estadual dentro do grupo ligado ao carlismo. Ou seja, um típico integrante daquilo que, no jargão do poder, é chamado de baixo clero. Sua ascensão se deu a partir de 2017, quando venceu a disputa com o auxílio fundamental do senador e amigo pessoal Otto Alencar.

Nos bastidores, a crise foi sendo construída pouco a pouco até culminar no rompimento político com o PT, grupo que sustentou toda a trajetória de ascensão de Coronel no estado. A relação, que começou como aliança estratégica, transformou-se em conflito direto, com ataques internos e disputas por espaço.

Rompimento dos compadres

O epicentro do embate é o senador Otto Alencar, padrinho político, aliado histórico e amigo pessoal de décadas. A disputa pelo controle do PSD na Bahia tornou-se o ponto de ruptura definitiva, transformando uma relação de compadrio em confronto político aberto e encerrando uma das alianças da política baiana recente.

Posicionamento no Congresso

A ruptura, no entanto, não se revela apenas no plano partidário. Ela já vinha se manifestando no plano institucional, por meio de posicionamentos no Congresso. Embora Ângelo Coronel tenha acompanhado o governo em cerca de 83% das votações, nos momentos mais simbólicos e politicamente sensíveis, seu alinhamento foi com a oposição.

Foi assim em pautas como o Marco Temporal, que restringe direitos territoriais dos povos indígenas; no projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental; em votações ligadas a privatizações e em agendas econômicas liberais que historicamente se chocam com o campo progressista. Nos temas de maior repercussão nacional, Coronel escolheu o lado oposto ao do governo Lula.

Da aliança ao rompimento

O roteiro se fecha com coerência: o político que ascendeu por meio de uma aliança com o campo progressista, chegou à presidência da Assembleia Legislativa, conquistou uma vaga no Senado e consolidou poder institucional, agora rompe com o mesmo grupo que o projetou, reposicionando-se no campo da oposição.

A ruptura era esperada por ter sido ele alijado da reeleição sem que tenha concordado com as alternativas oferecidas.