
Política
Governo pode enviar projeto em urgência para reduzir jornada de trabalho
Ministro Luiz Marinho afirma que, se debate sobre fim da escala 6x1 não avançar, Planalto pode acelerar tramitação no Congresso

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta segunda-feira (3), em São Paulo, que o governo federal poderá enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei em regime de urgência caso as discussões sobre a jornada de trabalho, incluindo o fim da escala 6x1 e a redução da carga horária semanal, não avancem na “velocidade desejada”.
O regime de urgência determina que tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal tenham até 45 dias para deliberar sobre a proposta. Caso o prazo não seja cumprido, a pauta fica trancada até a votação da matéria.
Segundo o ministro, há diálogo em curso com os presidentes das duas Casas para dar andamento às propostas que tratam do tema, tanto às Propostas de Emenda à Constituição (PECs) quanto aos projetos de lei já em tramitação.
Marinho destacou que os projetos de lei podem avançar mais rapidamente que as PECs e não descartou a possibilidade de envio de uma nova proposta em regime de urgência, a depender das conversas entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Redução para 40 horas e fim da escala 6x1
Uma das PECs em tramitação no Congresso propõe ampliar de um para dois dias o descanso semanal, preferencialmente aos sábados e domingos, e reduzir de 44 para 36 horas a jornada máxima semanal, sem considerar horas extras. Atualmente, a Constituição estabelece limite de oito horas diárias e 44 semanais.
Durante coletiva de imprensa para divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Marinho afirmou considerar viável o fim da escala 6x1, mas ressaltou que a prioridade do governo é a redução da jornada semanal.
Para ele, é plenamente possível diminuir a carga horária máxima de 44 para 40 horas semanais, o que poderia levar, na prática, ao fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa um.
O ministro também afirmou que o governo não discute, neste momento, compensações fiscais às empresas como contrapartida à redução da jornada. Segundo ele, a compensação deve vir por meio do aumento da produtividade.
Marinho argumentou que a melhoria do ambiente de trabalho, a redução de acidentes e doenças ocupacionais e o investimento em tecnologia podem elevar a produtividade, tornando desnecessária a concessão de incentivos fiscais para viabilizar a mudança.
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