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Dino defende reforma do Judiciário com penas mais rigorosas para corrupção de juízes

Política

Dino defende reforma do Judiciário com penas mais rigorosas para corrupção de juízes

Medidas sugeridas pelo ministro incluem penas mais rígidas para juízes em caso de corrupção e fim da aposentadoria compulsória como punição na categoria

Dino defende reforma do Judiciário com penas mais rigorosas para corrupção de juízes

Foto: STF/Gustavo Moreno

Por: Metro1 no dia 20 de abril de 2026 às 17:00

Em meio às tensões no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino defendeu uma reforma do Judiciário. As sugestões do ministro incluem penas mais rígidas para juízes em caso de corrupção, fim da aposentadoria compulsória como punição na categoria e da multiplicação dos "penduricalhos", que foram julgados recentemente na Corte. 

Para o ministro, “reformas são bem-vindas, quando inspiradas pelo interesse público e revestidas de consistência técnica”, escreveu Dino em artigo publicado no site ICL Notícias.

“Decorridos 22 anos da última Reforma, creio ser o caso de realizar um novo ciclo de mudanças constitucionais e legais, mediante a participação dos órgãos integrantes do Sistema de Justiça e das entidades representativas dos seus membros. Realço que essa dimensão participativa e dialógica é essencial, pois só o AI-5 da ditadura conseguiu impor, ‘de fora para dentro’, mudanças no Judiciário (…)”, escreveu o ministro. A última reforma do Judiciário aconteceu há 22 anos, em 2004, no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência.

A publicação do artigo é feita em meio às recentes discussões de um Código de Conduta no Supremo, idealizado pelo presidente da Corte, Edson Fachin, mas que sofre resistência de uma parte dos ministros. A proposta está sendo elaborada pela ministra Cármen Lúcia, que deve apresentar um esboço aos colegas. A expectativa, segundo Fachin, é que o texto seja submetido e analisado ainda em 2026.

Por outro lado, a proposta de Dino é uma revisão mais ampla, com 14 medidas, que incluem revisão de capítulo do Código Penal, diminuir o número de processos e agilizar a sua análise, além do fim da aposentadoria compulsória como punição e da multiplicação dos penduricalhos. Ele defende ainda a criação de tipos penais mais rigorosos para corrupção, peculato e prevaricação envolvendo juízes, procuradores, advogados (públicos e privados), defensores, promotores, assessores e servidores do Judiciário.

Ainda em seu artigo, o ministro do STF teceu críticas ao que chamou de leituras "superficiais" sobre o papel do Judiciário. "O Brasil precisa de mais Justiça, não menos, como parecem pretender certos discursos superficiais sobre uma suposta ‘autocontenção’, vista como uma ‘pedra filosofal’", continuou o ministro.

A ideia de autocontenção do Judiciário é uma das bandeiras defendidas por Fachin, que tem enfatizado a necessidade de moderação em meio ao atual ambiente de tensão entre os Poderes.

Em fevereiro, durante a solenidade de abertura do ano do Judiciário, Fachin defendeu o que chamou de "autocorreção" e afirmou que daria prioridade à elaboração do Código de Conduta para os magistrados, anunciando que a relatoria da proposta ficaria a cargo da ministra Cármen Lúcia. 

Após a publicação do artigo de Dino, Fachin afirmou, nesta segunda-feira (20) que o texto do colega "merece aplauso e apoio" e classificou a iniciativa como uma contribuição relevante ao debate institucional. Para ele, o texto apresenta "uma reflexão oportuna e bem estruturada sobre a necessidade de aperfeiçoamento do Poder Judiciário", ao tratar o tema com "seriedade institucional e senso de responsabilidade republicana". A declaração foi feita por meio da assessoria de imprensa do STF.