Sábado, 16 de maio de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Política

/

Agente da PF investigado no caso Master se ofereceu para fazer “trabalhinhos” ao grupo de Vorcaro

Política

Agente da PF investigado no caso Master se ofereceu para fazer “trabalhinhos” ao grupo de Vorcaro

Decisão de André Mendonça aponta que policial federal repassava informações sigilosas ao núcleo “A Turma”, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro

Agente da PF investigado no caso Master se ofereceu para fazer “trabalhinhos” ao grupo de Vorcaro

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 14 de maio de 2026 às 15:02

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) indicam que um agente da corporação investigado na 6ª fase da Operação Compliance Zero se ofereceu para realizar novos serviços ilegais para o grupo conhecido como “A Turma”, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação deflagrada nesta quinta-feira (14). Segundo a PF, o núcleo “A Turma” atuava com ameaças, intimidações e obtenção de informações sigilosas em favor dos interesses de Vorcaro.

De acordo com a investigação, o policial federal Anderson Wander da Silva Lima, que atuava na delegacia da PF no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, trabalhava de forma “estável” com o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva desde agosto de 2023, fornecendo dados sigilosos sempre que solicitado.

Na decisão, Mendonça afirma que Anderson tinha “acesso privilegiado, atual e funcional aos bancos de dados oficiais”, motivo pelo qual era constantemente acionado por Marilson e “financeiramente retribuído”.

Em um áudio enviado em setembro de 2023, o agente afirmou que estava “fedendo”, que precisava de alguma “coisinha boa” e que gostaria de fazer uns “trabalhinhos”. Segundo a decisão, Marilson respondeu que um “negócio” surgiria no mês seguinte e que precisaria do apoio “de vocês aí”.

Para Mendonça, a conversa indica que Anderson “não era mero executor de uma consulta ou outra, mas alguém integrado a circuito de demandas futuras e com expectativa de remuneração”.

As investigações também apontam que, em fevereiro de 2024, o agente conseguiu acesso a um inquérito sobre crimes financeiros relacionados a Vorcaro após acionar outros três policiais federais. Ao encaminhar o material para Marilson, foi repreendido por ter enviado o acesso integral ao processo, quando o grupo queria apenas informações resumidas.

Uma semana depois, Anderson voltou a ser acionado para obter detalhes sobre uma intimação recebida por Henrique Vorcaro, preso na operação desta quinta-feira.

Diretor da PF diz que corporação “corta na própria carne”

Ao blog da jornalista Andréia Sadi, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a operação demonstra que a corporação “não protege, nem persegue”.

“Essa operação de hoje não deixa dúvidas e serve também para valorizar a quase totalidade dos policiais federais, que agem com correção e dedicação, e reafirmar que não há hipótese de transigirmos com desvio de conduta”, declarou.

Segundo a investigação, integrantes da própria PF, incluindo policiais da ativa, aposentados e uma delegada, participavam do grupo “A Turma”, apontado como responsável por intimidar adversários, acessar sistemas governamentais de forma indevida e obter informações sigilosas para atender interesses ligados ao Banco Master.

A defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a decisão judicial se baseia em fatos cuja “licitude e racionalidade econômica ainda não foram comprovadas” e disse que os esclarecimentos não foram solicitados previamente pela investigação.