
Política
Empresa ligada a filme de Bolsonaro enviou R$ 139 milhões a supostos alvos do PCC e da máfia italiana, aponta PF
Relatório do Coaf aponta transferências da Entre Investimentos para empresas investigadas por lavagem de dinheiro, PCC e máfia italiana

Foto: Reprodução
A empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como intermediadora de repasses do Banco Master para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, enviou R$ 139 milhões a empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro. As movimentações ocorreram entre julho de 2022 e dezembro de 2025.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os recursos foram destinados a empresas suspeitas de ligação com fraudes no setor de combustíveis, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e membros da máfia italiana Ndrangheta.
O documento aponta que a Entre Investimentos também realizou transferências para quatro empresas investigadas na Operação Carbono Oculto, da PF, que apura um esquema de adulteração de combustíveis com supostas conexões com o PCC. As firmas seriam usadas para movimentações financeiras destinadas a driblar mecanismos de fiscalização.
Além disso, a empresa enviou recursos para uma companhia de pagamentos de São Paulo investigada na Operação Mafiusi, que apurou um suposto esquema internacional de lavagem de dinheiro envolvendo o PCC e a máfia italiana no Porto de Paranaguá, no Paraná.
Ligação com filme sobre Bolsonaro
As movimentações ganharam repercussão após reportagem do Intercept Brasil revelar que a Entre Investimentos foi usada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para enviar recursos ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos.
Um comprovante aponta o envio de US$ 2 milhões para financiar a produção do longa “Dark Horse”, cinebiografia sobre a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018.
Documentos norte-americanos indicam que o fundo, registrado no Texas, tem como representante legal um advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro. Procurado, Eduardo não comentou o caso.
Já o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter trocado mensagens com Vorcaro cobrando pagamentos relacionados ao filme. Segundo ele, o empresário havia firmado contrato para financiar a produção, mas estaria com parcelas em atraso.
Alerta do Coaf
O Coaf emitiu alerta de “suspeição” sobre as movimentações da Entre Investimentos, apontando indícios de que a empresa teria atuado como “conta de passagem” para operações financeiras consideradas atípicas para seu perfil de atuação.
Segundo o órgão, as contas apresentavam créditos e débitos incompatíveis com a atividade econômica declarada pela empresa.
Quem é o “Mineiro”
A empresa é comandada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, executivo com passagem por instituições como Banco Nacional, Banco Garantia e Credit Suisse.
Ele também foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em janeiro deste ano.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal e divulgadas pelo Intercept mostram Daniel Vorcaro sugerindo operações “via Entre”, enquanto Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e apontado como operador financeiro do esquema, menciona pedir autorização a “Minas”, apelido atribuído a Freixo.
Investigações da CVM e do Banco Central
A Entre Investimentos e o Banco Master também já foram citados em processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que investiga supostas fraudes no mercado financeiro em 2023.
No procedimento, a empresa é apontada como possível “intermediária de liquidez” em operações consideradas irregulares, dando aparência de normalidade a investimentos sem lastro.
Em março, o Banco Central liquidou a EntrePay, empresa ligada ao grupo Entre, sob suspeita de participação em operações financeiras associadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro, que atualmente está preso.
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