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Caso Master: saiba quem são “Os Meninos”, grupo hacker investigado por atuar para Vorcaro

Política

Caso Master: saiba quem são “Os Meninos”, grupo hacker investigado por atuar para Vorcaro

Hacker preso em Dubai é apontado como integrante do braço tecnológico da organização

Caso Master: saiba quem são “Os Meninos”, grupo hacker investigado por atuar para Vorcaro

Foto: DIvulgação/FreePik

Por: Metro1 no dia 18 de maio de 2026 às 08:56

A Polícia Federal (PF) investiga um suposto esquema criminoso ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como responsável por coordenar ações de espionagem digital, invasões virtuais, intimidações e monitoramento ilegal de adversários. Segundo a apuração, a estrutura era dividida entre um núcleo de hackers chamado “Os Meninos” e um braço operacional conhecido como “A Turma”, responsável por ameaças e ações presenciais. As informações foram reveladas no Fantástico deste domingo (17).

De acordo com os investigadores, “Os Meninos” atuavam na parte tecnológica do esquema, realizando ataques cibernéticos, criação de programas de invasão e até falsificação de documentos públicos. A PF afirma que o grupo utilizava inteligência artificial para executar parte das operações digitais. Um dos integrantes apontados é o hacker Victor Lima Sedlmaier, preso em Dubai após ação conjunta entre autoridades brasileiras, policiais locais e a Interpol.

Quem são “Os Meninos”

As investigações apontam que as ordens para o núcleo hacker partiam de David Henrique Alves, de 23 anos, considerado pela PF o chefe do setor tecnológico. Ele estaria foragido desde a última quinta-feira (14). Segundo a polícia, Alves recebia salário de R$ 35 mil por mês para coordenar os ataques virtuais e gerenciar os integrantes da equipe. Durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais, agentes encontraram computadores e notebooks que seriam usados nas operações do grupo.

Ainda segundo a PF, os hackers teriam forjado um documento do Ministério Público do Ceará para derrubar um perfil falso criado com o nome da então noiva de Daniel Vorcaro. O ofício falso foi enviado usando o e-mail institucional de uma servidora pública. A plataforma digital não identificou a fraude e removeu o perfil no dia seguinte. A polícia ainda apura se a funcionária teve participação no caso.

Intimidações e ameaças

Além das ações virtuais, a investigação aponta que “A Turma” era formada por policiais da ativa e aposentados, milicianos e bicheiros responsáveis por ameaças e constrangimentos contra desafetos do banqueiro. O grupo teria realizado acessos ilegais a sistemas públicos e promovido intimidações presenciais.

Entre os casos citados pela PF está a perseguição ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram conversas sobre uma tentativa de hackear o profissional e até um plano para agredi-lo em um falso assalto. A investigação também reúne depoimentos de ex-funcionários ligados a Vorcaro, que afirmam ter sido ameaçados por homens armados em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

O que dizem as defesas

A defesa de Victor Lima Sedlmaier informou ao Fantástico que ainda não teve acesso completo às investigações e afirmou que os esclarecimentos serão apresentados no processo. Já Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, negou participação em qualquer organização criminosa e declarou que os pagamentos citados pela PF eram referentes a serviços legais de segurança e negociação imobiliária. Os advogados de Daniel Vorcaro disseram que não irão comentar o caso neste momento. A servidora do Ministério Público do Ceará citada na investigação não foi localizada pela reportagem.