Terça-feira, 26 de maio de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Política

/

PF aponta delator da Lava Jato como articulador entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro

Política

PF aponta delator da Lava Jato como articulador entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro

Investigação sobre aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master mira empresário que teria atuado como lobista e intermediador político

PF aponta delator da Lava Jato como articulador entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro

Foto: Phillipe Lima/Divulgação/Reprodução

Por: Metro1 no dia 26 de maio de 2026 às 15:39

A Polícia Federal apontou o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, delator em desdobramentos da Operação Lava Jato, como responsável por aproximar o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Rodrigues é um dos alvos da 8ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira (26) com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A investigação apura investimentos bilionários do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master.

Segundo a PF, o empresário atuava como “articulador, captador e lobista” do banco junto ao fundo de previdência estadual. Os investigadores afirmam que ele mantinha contato direto com Vorcaro e teria garantido o “alinhamento político necessário” para os aportes feitos pelo Rioprevidência a partir do fim de 2023.

“No caso do RioPrevidência, é-lhe atribuída função de intermediação política e operacional da captação, tendo afirmado a Vorcaro que resolveria os trâmites internos, restando pendente apenas o alinhamento político”, diz trecho da decisão judicial.

Troca de mensagens com Vorcaro 

A representação da PF classifica Rodrigues como principal responsável pela captação de recursos do fundo previdenciário destinados à aplicação em Letras Financeiras do Banco Master. Em uma das mensagens obtidas pelos investigadores, o empresário agradece a Vorcaro pelo apoio da equipe do banco.

“Daniel, quero deixar registrado aqui meu agradecimento a toda a equipe q vc disponibilizou desde novembro. Atingimos a meta estabelecida em apenas 45 dias, o banco foi o segundo maior captador de LF nesse período e temos um pipeline para o primeiro semestre já em reta final de mais de bilhão”, escreveu.

A PF afirma ainda que Rodrigues participava de encontros frequentes com o banqueiro, inclusive no exterior e em ambientes privados, com despesas custeadas por Vorcaro.

De acordo com a investigação, o empresário teria ajudado a viabilizar investimentos de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência em papéis e fundos ligados ao Banco Master.

Os investigadores também apontam que Rodrigues controlava nos bastidores a empresa Mídias Promotora Ltda., registrada em nome de um “laranja”. Segundo a PF, a companhia era usada para receber e distribuir comissões relacionadas aos investimentos feitos pelo fundo estadual.

“A Mídias Promotora teria sido utilizada para receber e distribuir comissões relacionadas à captação de recursos junto a regimes próprios de previdência, especialmente ao RioPrevidência, com percentuais previamente ajustados sobre os valores aportados no Banco Master”, afirma a decisão.

Para a PF, a empresa funcionava como peça central do esquema financeiro investigado, permitindo a circulação e fragmentação dos valores com aparência de legalidade contratual.

Outros alvos

Outro alvo da operação é Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência. Segundo os investigadores, ela assinou documentos considerados fraudulentos relacionados ao credenciamento do Banco Master e da corretora Planner.

A investigação aponta ainda que os aportes negociados durante a gestão de Cláudio Castro teriam envolvido pagamento de comissões de 0,6% sobre os valores investidos. Considerando cerca de R$ 3 bilhões transferidos a fundos ligados ao banco, as propinas podem chegar a R$ 18 milhões.

Mensagens obtidas pela PF indicam que Rodrigues afirmou a Vorcaro que o Rioprevidência tinha um “dono” responsável por autorizar dirigentes do órgão a liberar os investimentos.

Lava Jato 

Durante a Lava Jato, Rodrigues foi apontado pela PF como o maior operador de fundos de pensão do país. Em delação premiada firmada em 2018, ele denunciou um esquema de extorsão envolvendo auditores da Receita Federal que, segundo ele, cobravam valores de investigados em troca de benefícios.