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Fim da escala 6x1: Câmara aprova PEC que reduz jornada para 40 horas

Política

Fim da escala 6x1: Câmara aprova PEC que reduz jornada para 40 horas

Proposta recebeu 461 votos favoráveis e 19 votos contrários no segundo turno

Fim da escala 6x1: Câmara aprova PEC que reduz jornada para 40 horas

Foto: Agência EFE/Folhapress

Por: Duda Matos no dia 27 de maio de 2026 às 23:37

Atualizado: no dia 28 de maio de 2026 às 06:58

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. O texto recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno e 461 votos favoráveis e 19 votos contrários no segundo.

Concluída essa etapa, a proposta ainda precisará ser analisada do Senado Federal.

A aprovação em plenário ocorreu no mesmo dia em que a comissão especial da Câmara aprovou o parecer do relator, deputado Leo Prates.

A PEC reúne propostas apresentadas pelos deputados Reginaldo Lopes e Erika Hilton. As versões iniciais defendiam uma jornada semanal de 36 horas, mas o relatório final fixou o limite em 40 horas.

O texto define uma transição de 14 meses para a redução da carga horária semanal, sem redução salarial. A mudança será feita em duas etapas, com redução de duas horas em cada fase. A primeira entrará em vigor 60 dias após a promulgação da PEC. A segunda será implementada 12 meses depois, totalizando 14 meses de transição.

Na prática, a proposta busca garantir o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias e folga um. O texto estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. A nova regra também começará a valer 60 dias após a promulgação da emenda.

Durante a votação, deputados da base governista foram ao plenário com camisetas, cartazes e adesivos em defesa do fim da escala 6x1. O ministro Guilherme Boulos acompanhou a sessão na Câmara. O governo havia convocado manifestações favoráveis à proposta.

Parlamentares do Partido Novo e do Missão se posicionaram contra a PEC. Os congressistas reforçaram os argumentos dos empresários de que “a redução terá impactos econômicos para os empresários” e defenderam que “o ideal seria que as convenções coletivas definissem as escalas de trabalho”.

A expectativa do governo federal e do presidente da Câmara, Hugo Motta, é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acelere a tramitação da proposta assim que ela chegar à Casa. A intenção é concluir a votação em até 30 dias e promulgar a PEC antes do recesso parlamentar, previsto para começar em 18 de julho.

O debate no Senado ocorrerá em meio ao desgaste recente entre o governo federal e a Casa Alta após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira vez em mais de 130 anos que o Legislativo rejeitou uma indicação ao Supremo.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, negou que exista uma rusga entre o Planalto e o Senado e disse que Lula e Alcolumbre são como “amigos que estão há meses sem se falar e que retomam o contato de maneira calorosa”.

“O Senado também terá sabedoria de ouvir o grito da sociedade brasileira. Vamos conversar com o Davi e tenho certeza que a sensibilidade vai convencer o senador”, disse.

Representantes do empresariado brasileiro se reuniram na terça-feira (26) com Alcolumbre para pedir mais tempo de análise da proposta. Empresários se manifestaram contra o avanço da PEC no Congresso e afirmaram que a discussão “não pode se dar em um período eleitoral”.