
Política
TSE analisa recursos de Cláudio Castro e reabre debate sobre condenação eleitoral
Análise representa uma nova etapa do processo que tornou Castro inelegível por oito anos e cassou o diploma de Bacellar por abuso de poder político

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta terça-feira (2) recursos apresentados pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do estado, Rodrigo Bacellar, e pelo Ministério Público Eleitoral. A análise representa uma nova etapa do processo que tornou Castro inelegível por oito anos e cassou o diploma de Bacellar por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Os recursos analisados são embargos de declaração, instrumento usado para esclarecer possíveis omissões, contradições ou dúvidas em uma decisão judicial. Apesar do caráter técnico, o julgamento ganhou importância por poder influenciar os desdobramentos do caso e os efeitos da condenação aplicada pelo tribunal.
Divergência sobre a decisão
O principal questionamento foi apresentado pela Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), que aponta uma possível inconsistência entre os votos dos ministros e a conclusão registrada no acórdão. Em março, o TSE decidiu pela inelegibilidade de Castro, mas entendeu que não houve maioria para cassar seu diploma após a renúncia ao cargo. Para a Procuradoria, a maioria dos ministros se manifestou, na prática, a favor da cassação do diploma da chapa eleita em 2022.
Argumentos das partes
Segundo o Ministério Público Eleitoral, a renúncia impede apenas a perda de um mandato que já não existe, mas não elimina os efeitos eleitorais da condenação. Por isso, o órgão pede que o TSE reconheça formalmente a cassação do diploma de Castro. A Procuradoria também argumenta que uma interpretação diferente poderia abrir espaço para que políticos utilizassem a renúncia para reduzir as consequências de decisões da Justiça Eleitoral. Já a defesa do ex-governador solicita a anulação do julgamento, alegando violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa.
Origem do processo
A condenação foi motivada pelo entendimento de que houve uso irregular da estrutura do Ceperj para a contratação de cerca de 27,5 mil funcionários temporários durante o período eleitoral de 2022. Para a maioria dos ministros, as admissões ampliaram a influência política do grupo ligado ao governo estadual. Além de declarar a inelegibilidade de Castro e cassar o diploma de Bacellar, o TSE determinou novas eleições para o governo do Rio de Janeiro, a retotalização dos votos para deputado estadual e a aplicação de multas aos envolvidos.
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