Terça-feira, 16 de junho de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Política

/

Master: O que se sabe sobre os novos documentos da PF que citam Vorcaro, Ciro Nogueira e Hugo Motta

Política

Master: O que se sabe sobre os novos documentos da PF que citam Vorcaro, Ciro Nogueira e Hugo Motta

Documentos da Polícia Federal citam pagamentos, viagens internacionais, elaboração de proposta legislativa no Banco Master e uso indevido de sistemas da PF em apurações ligadas a Daniel Vorcaro

Master: O que se sabe sobre os novos documentos da PF que citam Vorcaro, Ciro Nogueira e Hugo Motta

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 16 de junho de 2026 às 16:06

A Polícia Federal revelou uma série de elementos que apontam para uma relação de favorecimento entre o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os documentos, tornados públicos após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), também detalham suspeitas envolvendo monitoramento de investigações policiais, viagens internacionais e a elaboração de uma proposta legislativa que poderia beneficiar diretamente a instituição financeira.

Veja os principais pontos conhecidos até o momento.

Hospedagem de Ciro Nogueira e Hugo Motta 

Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro providenciou hospedagem para o senador Ciro Nogueira e para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante viagem a Lisboa, em junho de 2024.

Segundo a investigação, Vorcaro solicitou a reserva de suítes no hotel Four Seasons para o período entre os dias 24 e 30 de junho. Nas conversas, ele demonstrou preocupação com a privacidade dos convidados e pediu reforço na segurança do local.

"Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro", diz o empresário em áudio obtido pela PF. "Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista", acrescentou Vorcaro. 

PF aponta tratamento privilegiado com Ciro 

Em representação encaminhada ao STF, a Polícia Federal afirma que Daniel Vorcaro concedia tratamento privilegiado e diferenciado ao senador Ciro Nogueira. 

Os investigadores apontam que as vantagens incluiriam:

• pagamento de despesas em viagens internacionais;
• utilização de jatos particulares;
• hospedagem em hotéis de luxo;
• refeições e outros benefícios econômicos;
• pagamentos mensais que teriam começado em R$ 300 mil e posteriormente alcançado R$ 500 mil;
• aquisição de participações societárias com descontos considerados expressivos.

Segundo a PF, o valor total gasto com viagens internacionais e benefícios concedidos ao senador supera R$ 500 mil, em uma estimativa considerada conservadora pelos investigadores.

Viagens internacionais

Os documentos mencionam viagens para destinos como Paris, Nova York, Lisboa e Courchevel, tradicional estação de esqui nos Alpes franceses. Entre os gastos identificados está o pagamento de uma suíte Royal em um hotel de Nova York, com custo de US$ 47,7 mil. A polícia sustenta que os benefícios teriam relação com a atuação parlamentar de Ciro Nogueira em temas de interesse do Banco Master.

Emenda Master

 Outro foco da investigação é a Emenda nº 11 à PEC 65/2023, apelidada pelos investigadores de "Emenda Master".

A proposta elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida que, segundo a PF, teria potencial para beneficiar diretamente instituições financeiras de médio porte, incluindo o Banco Master.

De acordo com a investigação, a emenda foi elaborada integralmente dentro da estrutura jurídica do banco. A PF afirma que o texto foi produzido pelo então advogado da instituição, João Antonio Bias Dall’Ava, revisado pelo ex-diretor jurídico André Kruschewsky e posteriormente protocolado no Senado por Ciro Nogueira.

As apurações apontam que o documento apresentado no Congresso seria idêntico ao rascunho elaborado internamente pelo banco.

Em conversas interceptadas, Vorcaro teria comemorado a proposta, classificando-a como uma "bomba atômica no mercado financeiro". A suspeita dos investigadores é que o senador teria utilizado sua posição institucional para defender interesses ligados ao empresário.

Monitoramento das investigações

Outro eixo da operação envolve o ex-escrivão da Polícia Federal Marilson Roseno da Silva. Segundo relatório da corporação, ele teria utilizado sistemas internos da PF para realizar consultas relacionadas a Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao empresário desde pelo menos agosto de 2021.

A investigação aponta que o objetivo seria identificar eventuais apurações em andamento e obter informações privilegiadas. A PF afirma que Silva liderava um grupo conhecido como "A Turma", responsável por levantar dados de investigações, processos sigilosos e informações de pessoas físicas e jurídicas em sistemas restritos.

Ainda segundo os investigadores, as consultas beneficiavam interesses privados de Vorcaro e serviam para monitorar investigações consideradas sensíveis.

Prisões e desdobramentos

As investigações também atingem familiares do empresário. Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, foi preso e responde às acusações relacionadas ao suposto esquema. O STF analisa se ele permanecerá detido ou poderá responder ao processo em liberdade mediante medidas cautelares.

Já o ex-escrivão Marilson Roseno da Silva teve prisão decretada em maio deste ano. A Polícia Federal segue apurando os fatos e busca esclarecer a extensão da relação entre os investigados, os benefícios apontados e possíveis impactos sobre decisões políticas e regulatórias relacionadas ao sistema financeiro.