
Política
Das mesadas milionárias ao "avião para as kengas": os novos capítulos da novela Daniel Vorcaro
Relatórios da PF revelam novos detalhes da vida do ex-dono do Banco Master, com hotéis de luxo, favores a políticos, suspeitas de espionagem, plano de vingança e mensagens que transformaram a investigação em um dos casos mais inusitados do ano

Foto: Reprodução
Se alguém achava que a história de Daniel Vorcaro já tinha atingido seu limite de absurdos, os documentos da Polícia Federal divulgados nesta semana mostraram que o ex-dono do Banco Master ainda guardava alguns capítulos extras para a coleção.
Até aqui, o caso envolvia suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro. Nesta semana, ganhou novos ingredientes: jatinhos, hotéis de luxo, espionagem, vingança amorosa, policiais investigados e até um avião para as "kengas".
Mimos de Ciro
Embora a proximidade entre Vorcaro e Ciro Nogueira já fosse conhecida, os novos documentos detalham os gastos atribuídos ao senador. A PF cita hospedagens em hotéis de luxo em Nova York e Lisboa, despesas em restaurantes na França que superaram R$ 122 mil e até uma refeição em Paris que ultrapassou R$ 10 mil, além de deslocamentos em aeronaves particulares.
Motta em Lisboa
O nome do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também aparece nos documentos. Vorcaro pagou hospedagem para o parlamentar em um hotel de luxo em Lisboa durante viagem realizada em 2024. Após a divulgação dos documentos, Motta confirmou ter viajado em aeronave ligada a Vorcaro, mas afirmou que o deslocamento ocorreu a convite de Ciro Nogueira e negou qualquer irregularidade.
Além de Brasília
Mas foi fora dos corredores de Brasília que surgiram algumas das revelações mais inusitadas. A investigação aponta que Vorcaro discutiu um plano para incriminar Ronald Seikaly, ex-jogador da NBA e ex-marido de sua então companheira, Martha Graeff. O banqueiro cogitou gastar até R$ 10 milhões para criar uma situação envolvendo drogas que pudesse resultar em constrangimento e prisão.
Além disso, a PF encontrou na casa de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, uma consulta do sistema Sinapse, restrito a agentes da corporação, sobre um ex-sócio do banqueiro. Como o sistema só pode ser acessado por agentes autorizados, os investigadores suspeitam que policiais infiltrados repassavam informações sigilosas para pessoas ligadas à família Vorcaro.
“Kengas” e Serasa
Se alguns trechos dos relatórios parecem roteiro de filme policial, outros caminham para a comédia involuntária. Em uma das mensagens analisadas, Vorcaro pede uma aeronave para transportar mulheres para um evento. A frase - "preciso de um avião para as kengas" - fala por si só. Em outra conversa, aparece a determinação para "moer" uma empregada doméstica.
Como se tudo isso não bastasse, uma contradição curiosa aparece. Enquanto bancava luxos. Vorcaro aparecia com registros de inadimplência. Em outras palavras: havia recursos para jatinhos, suítes com vista para o Central Park, restaurantes nos Alpes franceses e hospedagens em Lisboa, mas nem sempre para manter distância do Serasa.
As suspeitas contra Daniel Vorcaro já deixaram de caber apenas nas páginas de economia e passaram a ocupar, com folga, as editorias de política, polícia e até entretenimento.
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