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Lula rebate pressão dos EUA: “Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”

Política

Lula rebate pressão dos EUA: “Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”

Em artigo, presidente critica o tarifaço de Donald Trump e rejeita qualquer tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras

Lula rebate pressão dos EUA: “Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Por: Metro1 no dia 26 de julho de 2026 às 13:25

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em artigo publicado neste domingo (26) no jornal norte-americano The Washington Post, que o Brasil não aceitará pressões políticas dos Estados Unidos por meio da relação econômica nem tentativas de interferência nas eleições brasileiras.

“Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, escreveu o presidente.

A publicação ocorre após o Itamaraty negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo o governo brasileiro, eles pretendiam vir ao país para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral. O governo norte-americano, no entanto, negou que a missão tivesse como objetivo interferir nas eleições.

Tarifas são “erro estratégico”

No artigo, Lula também classificou as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros como um “erro estratégico”, por considerar que elas prejudicam tanto a economia americana quanto a parceria entre os dois países.

O presidente afirmou que tentou negociar diretamente com Donald Trump e que o governo brasileiro realizou dezenas de reuniões com representantes dos Estados Unidos, mas as novas taxas foram mantidas mesmo após a apresentação de argumentos técnicos.

Segundo Lula, diversos setores da indústria americana dependem de insumos brasileiros e o aumento das tarifas tende a elevar os custos para consumidores dos Estados Unidos.

“No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros”, escreveu.

Recado sobre soberania

O petista também defendeu que a América Latina precisa de “parceiros confiáveis e previsíveis”, e não de sanções econômicas ou demonstrações de força militar. Segundo ele, diante das restrições impostas pelos Estados Unidos, outros países surgem como alternativas para ampliar investimentos e relações comerciais na região.

Ao concluir o artigo, Lula reforçou a disposição para o diálogo, mas rejeitou qualquer tipo de ingerência externa.

“Estamos prontos a continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos requer. Mas o destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência”, afirmou.