
Política
Chanceler brasileiro endurece tom com Milei: “Precisa parar imediatamente as agressões contra Lula”
Chanceler brasileiro afirmou que presidente argentino precisa interromper as críticas ao chefe do Planalto

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o presidente da Argentina, Javier Milei, precisa interromper "imediatamente as agressões" contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração ocorreu em meio a uma série de críticas feitas pelo argentino ao chefe do Planalto desde o fim de julho.
Em entrevista ao jornal argentino Clarín, publicada no sábado (8), Vieira afirmou que a relação entre Brasil e Argentina é "primordial" e defendeu a suspensão dos ataques para que os dois países retomem a normalidade na relação bilateral.
"As ofensas foram muito graves. Portanto, essa relação deve ser preservada, as agressões suspensas e o caminho para a normalidade na relação bilateral retomado", afirmou o chanceler.
Vieira também classificou como "totalmente falsas" as acusações de que o governo brasileiro teria financiado uma campanha internacional contra a Argentina. A declaração foi uma resposta a uma afirmação de Milei, feita sem apresentar provas, de que o Brasil teria apoiado uma campanha contra o país durante a Copa do Mundo.
Brasil retira embaixador da Argentina
A sequência de críticas de Milei a Lula levou o Itamaraty a reduzir a representação diplomática brasileira na Argentina. O embaixador Júlio Bitelli foi retirado do país, que atualmente é representado por um encarregado de negócios.
Segundo Vieira, o retorno de Bitelli só ocorrerá quando forem superadas as condições que motivaram sua saída. Para o chanceler, a situação poderia ser resolvida com a interrupção dos ataques contra o governo brasileiro.
Mauro Vieira comenta atrito com os Estados Unidos
Na entrevista ao Clarín, o ministro também falou sobre a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos envolvendo a indicação do embaixador Daniel Perez para representar o país no Brasil e a alteração do visto da embaixadora brasileira na Organização das Nações Unidas, Maria Luíza Viotti.
Vieira afirmou que o conflito ocorreu em razão da forma como Perez foi indicado. Segundo ele, o anúncio não teria seguido os procedimentos previstos na Convenção de Viena.
"Os EUA estavam sem embaixador no Brasil há mais de um ano e meio. Eles não pareceram se preocupar com isso e, de repente, enviaram um candidato ao Senado e, trinta dias depois, consultaram publicamente o governo brasileiro, o que, do ponto de vista diplomático e político, violou a Convenção de Viena. A consulta deve ser feita discretamente, não publicamente", afirmou.
O chanceler também citou comentários de autoridades norte-americanas sobre o sistema eleitoral brasileiro e pedidos de visitas ao Brasil e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Isso também ocorreu em meio a comentários de autoridades americanas e do Departamento de Estado sobre o sistema eleitoral brasileiro, com pedidos de visitas ao Brasil e ao ex-presidente (Bolsonaro), que está preso. Foi excessivo", disse Vieira.
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