
Política
Condenado por homicídio diz à PF que se reunia com governador do Maranhão na sede do governo
Em depoimento, Gilbson Júnior também relata suposta disputa por dinheiro, pagamentos para manter silêncio e interferência na investigação do assassinato

Foto: Divulgação
O empresário Gilbson Cutrim Júnior, condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato de João Bosco Sobrinho, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que mantinha contato com o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), e com o sobrinho dele, Daniel Brandão. Segundo o relato, ele frequentava o Palácio dos Leões, sede do governo estadual, onde participava de reuniões e teria recebido autorização para estacionar no local.
O depoimento foi prestado em junho de 2025 a uma delegada da PF e a um procurador da República, durante uma investigação que tramitava no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Posteriormente, o caso passou ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Trechos do depoimento foram incluídos em uma decisão sigilosa de Dino, de novembro de 2025, à qual o portal g1 teve acesso. As declarações passaram a integrar as investigações que apuram possíveis relações entre o homicídio de João Bosco e um suposto esquema de corrupção no Maranhão.
Relação com Brandão
Segundo Gilbson, a aproximação com Carlos Brandão começou em 2021, quando o atual governador ainda ocupava o cargo de vice-governador. Ele afirmou que participou de encontros com Brandão e Daniel para tratar inicialmente de negócios envolvendo terras no estado.
O condenado também relatou que passou a ter acesso ao Palácio dos Leões. Segundo ele, havia uma vaga de estacionamento reservada para sua entrada e as visitas eram registradas. Gilbson afirmou ainda que, com o passar do tempo, os encontros com Brandão e Daniel passaram a envolver outros assuntos. Daniel Brandão foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) em 2023 e, na segunda-feira (17), foi afastado da presidência do órgão por 180 dias por determinação de Flávio Dino, após pedido da PF.
Homicídio e suposta disputa por dinheiro
Gilbson foi condenado pela morte de João Bosco Sobrinho, em 2022. A investigação inicial apontou uma desavença pessoal, mas, em depoimento à PF, ele afirmou que o crime estaria ligado a uma disputa por dinheiro de uma empresa que havia recebido pagamentos do governo estadual. Segundo sua versão, Daniel Brandão teria cobrado o repasse dos valores. Gilbson disse que foi ao encontro armado e matou Bosco após ser ameaçado.
Suposto pagamento para manter silêncio
Gilbson também afirmou que, após o crime, ele e sua família receberam dinheiro para que ele permanecesse em silêncio. Segundo o relato, os pagamentos chegaram a R$ 40 mil mensais e seriam intermediados por Raimundo Cutrim, Júnior Cabeção e o advogado Flávio Costa.
Suposta interferência na investigação
O condenado disse ainda que teria recebido orientação para não citar Daniel Brandão em seu primeiro depoimento à polícia. A PF apontou que imagens do local do crime não teriam sido usadas para registrar a presença de Daniel na reunião que antecedeu o assassinato. O caso passou ao STF após envolver o senador Weverton Rocha, suspeito de tentar interferir na investigação para proteger os Brandão. Ele nega irregularidades.
Defesas
Carlos Brandão afirmou, por meio da defesa, que as citações ao seu nome são inconsistentes e questionou a atuação do STF. Daniel Brandão negou as acusações e disse estar à disposição das autoridades. O TJ-MA não havia respondido aos questionamentos sobre o desembargador Flávio Costa até a publicação.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

