
Política
Morre aos 88 anos Manoel Dias, ex-ministro do Trabalho e um dos fundadores do PDT
Conhecido como Maneca, político catarinense teve a trajetória marcada pela atuação no trabalhismo, pela perseguição durante a ditadura e pelo comando do Ministério do Trabalho no governo Dilma Rousseff

Foto: Rodolfo Espínola/Alesc/Divulgação
O ex-ministro do Trabalho e Emprego Manoel Dias morreu neste sábado (22) aos 88 anos, em Florianópolis, em Santa Catarina. Uma das figuras centrais na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ele estava hospitalizado para tratar complicações de saúde decorrentes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido no ano passado.
Conhecido como “Maneca” por aliados e correligionários, Manoel Dias construiu uma trajetória política ligada ao trabalhismo e teve atuação destacada na criação e na estruturação do PDT ao lado de Leonel Brizola.
Em publicação nas redes sociais, o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, lamentou a morte do ex-ministro e destacou sua importância para o movimento trabalhista e para a formação das bases do partido.
Natural de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, Manoel Dias iniciou a vida pública no movimento estudantil durante a década de 1960. Em 1962, foi eleito vereador de Içara pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
A trajetória política foi interrompida pelo regime militar. Após o golpe de 1964, ele foi perseguido, teve o mandato cassado e passou 11 meses preso.
Dois anos depois, participou da articulação para a criação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Santa Catarina e foi eleito deputado estadual pela Assembleia Legislativa do estado.
Perseguição durante a ditadura
Em 1969, Manoel Dias voltou a ser atingido pela repressão. Teve novamente o mandato cassado e perdeu os direitos políticos por dez anos em decorrência do Ato Institucional nº 5 (AI-5).
Durante o período em que ficou afastado da vida pública, concluiu o curso de Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Com a Lei da Anistia e a reorganização partidária no início dos anos 1980, participou, ao lado de Leonel Brizola e de outros nomes históricos, do processo de formação do PDT.
Na legenda, ocupou cargos de projeção nacional, entre eles a Secretaria-Geral do partido e a presidência da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini.
Passagem pelo ministério
O ponto mais alto da trajetória no Executivo ocorreu entre 2013 e 2015, quando comandou o Ministério do Trabalho e Emprego durante o governo da então presidente Dilma Rousseff.
Mesmo fora de cargos eletivos, Manoel Dias permaneceu como uma das principais referências do trabalhismo em Santa Catarina e atuou como conselheiro da executiva nacional do PDT.
O ex-ministro deixa a esposa, dois filhos, noras e netos. Os ritos de despedida e as homenagens finais foram programados para ocorrer no Palácio Barriga Verde, sede da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, com a presença de familiares, correligionários e autoridades locais.
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