
Política
Justiça manda Derrite retirar vídeo que acusa Haddad de comprar drogas com dinheiro público
Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo considerou que conteúdo divulgado pelo candidato ao Senado pode comprometer a regularidade do processo eleitoral

Foto: Pablo Jacob/Secom/GESP
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou, na última sexta-feira (21), que o candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP) retire do ar um vídeo em que acusa Fernando Haddad (PT), candidato ao governo do estado, de ter usado dinheiro público para comprar drogas durante sua gestão como prefeito da capital paulista.
No vídeo, Derrite critica o programa De Braços Abertos, criado durante a gestão de Haddad e voltado a usuários de drogas na região da Cracolândia. A iniciativa oferecia remuneração aos participantes por meio de frentes de trabalho da prefeitura.
Ao comentar o programa, Derrite afirmou que recursos públicos teriam sido utilizados para comprar drogas para os usuários.
A Justiça Eleitoral, porém, entendeu que a publicação contém conteúdo “notoriamente inverídico ou gravemente descontextualizado”, com potencial para comprometer a regularidade do processo eleitoral.
Segundo o juiz Ronnie Herbert Barros Soares, a acusação ultrapassa os limites da crítica política. “Em exame preliminar, a documentação apresentada sugere que tal assertiva extrapola o campo da crítica política e assume contornos de imputação fática determinada, apta a influenciar a percepção do eleitorado acerca de tema sensível do debate eleitoral”, escreveu o magistrado.
Haddad critica “mentiras e fake news”
Em sabatina ao UOL nesta segunda-feira (24), Haddad comentou a decisão e afirmou ser alvo de “mentiras e fake news” da extrema direita e do que chamou de “turma do Tarcísio em São Paulo”.
“O secretário do Tarcísio já devidamente punido me acusou de ter comprado droga e distribuído na Cracolândia. Imagina um secretário de Segurança que é candidato acusar um adversário de comprar droga para distribuir. A Justiça puniu, mandou tirar do ar, mas esse tipo de coisa, num país ainda muito polarizado, tem efeito para a democracia”, declarou.
Haddad também defendeu o programa De Braços Abertos e citou uma avaliação da organização internacional Open Society sobre a iniciativa.
“Nós não fazemos nada que não seja baseado em evidências. A Open Society, que é uma ONG internacional, fez uma avaliação do ‘Braços Abertos’ e garantiu que dois terços das pessoas atendidas reduziram o consumo de droga”, afirmou.
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