
Política
PF encontra mensagens de Vorcaro supostamente enviadas a Moraes antes de prisão
Textos recuperados no celular do ex-banqueiro indicam que ele teria procurado o ministro do STF nos dias anteriores à primeira prisão; não há registro das eventuais respostas

Foto: Divulgaçã/Rosinei Coutinho/STF
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele teria contatado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos dias que antecederam sua primeira prisão, em novembro de 2025.
Segundo os investigadores, Vorcaro escrevia as mensagens em um bloco de notas no celular, fazia capturas de tela e as enviava pelo WhatsApp como imagens de visualização única. O procedimento permitiu que a PF recuperasse os textos produzidos pelo banqueiro, mas não as eventuais respostas do ministro.
Em 14 de novembro, três dias antes de ser preso, Vorcaro escreveu uma mensagem atribuída pela investigação a Moraes. “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nos tem uma divida de vida contigo e com a sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser”.
Dois dias depois, Vorcaro teria voltado a procurar o ministro para pedir um encontro. “Podemos nos ver amanhã rapidamente algum horário? Vou na parte da tarde então. Veja um horário que não vai te atrapalhar muito. Pode ser bem rápido”, escreveu, segundo os registros recuperados pela Polícia Federal.
Preocupação com as investigações
As mensagens também mostram a preocupação de Vorcaro com o avanço das investigações sobre o Banco Master. Em 15 de novembro, ele questionou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No dia seguinte, voltou a procurar o suposto interlocutor e perguntou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
Em outras mensagens recuperadas no celular, o ex-banqueiro teria pedido ajuda para tentar impedir ou adiar medidas relacionadas à investigação. Segundo as informações divulgadas, Vorcaro mencionou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Não há registro das eventuais respostas de Moraes. Como os conteúdos teriam sido enviados por meio de imagens de visualização única, a investigação teve acesso aos textos produzidos por Vorcaro, mas não à conversa completa.
Prisão no aeroporto
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular. Segundo a investigação, o avião teria Dubai como destino, após uma escala em Malta. A Polícia Federal avalia que o ex-banqueiro pretendia deixar o país.
Ele voltou a ser preso em 4 de março deste ano, depois de ter sido solto em 29 de novembro de 2025 por decisão da Justiça Federal.
Mendonça retira sigilo
Nesta terça-feira (1º), o ministro André Mendonça retirou o sigilo da ação que apura as mensagens encontradas pela Polícia Federal. Após as novas revelações, Mendonça pediu esclarecimentos complementares à Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo informações divulgadas pela imprensa, o ministro também avalia os desdobramentos do caso e a possibilidade de ampliar as investigações.
Contrato de R$ 131 milhões
As mensagens aparecem no contexto das investigações envolvendo Vorcaro e o Banco Master e se somam às informações sobre o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banco e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Em nota, o escritório afirmou que Moraes foi consultado sobre possíveis impedimentos legais para a contratação. A banca sustentou que não havia qualquer restrição e que o ministro jamais julgou uma causa envolvendo o Banco Master.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

