
Política
Em depoimento, Vorcaro nega ajuda de ex-diretor do Banco Central em favor do Master
Dono do Banco Master afirmou que Paulo Sérgio Neves de Souza nunca trabalhou para ele; Polícia Federal investiga suspeita de propina a servidores da instituição

Foto: Reprodução
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou à Polícia Federal que servidores do Banco Central tenham trabalhado em seu favor durante o processo de reestruturação da instituição financeira. Em depoimento prestado no dia 28 de agosto, o banqueiro afirmou que Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do órgão, nunca atuou para ele.
“O Paulo Sérgio nunca fez trabalho para mim, nenhum membro do Banco Central”, declarou Vorcaro ao ser questionado pelo delegado Albert Paulo Sérvio de Moura.
O depoimento foi prestado por videoconferência da Papudinha, onde Vorcaro está preso no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e uma suposta atuação de integrantes do Banco Central em benefício da instituição financeira. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles.
A Polícia Federal confrontou o banqueiro com mensagens que, segundo o delegado, indicariam pedidos de informações a servidores do Banco Central, além de conversas sobre revisão de ofícios e pendências relacionadas ao banco.
Vorcaro sustentou que os contatos faziam parte das discussões sobre a reestruturação da instituição. Segundo ele, havia apresentado “apenas um projeto e um plano de negócios para reestruturar o banco” e passou a tratar do assunto “com diversas áreas do Banco Central, inclusive a supervisão”.
O banqueiro também afirmou que, durante a pandemia, “começou a ter interação com as equipes do BC e da supervisão para dinamizar e poder evoluir com os pontos que a supervisão apontava que precisavam ser modificados no banco”.
Vorcaro disse ter conhecido Paulo Sérgio em 2017, quando pleiteava a compra do Banco Máxima, antigo nome do Banco Master. Ele afirmou que o contato com integrantes da área de supervisão era frequente naquele período por causa da situação da instituição.
“Na realidade, a interação com a supervisão, não somente com o Paulo Sérgio, mas com outros membros, ela é constante, acho que de todos os bancos, acho não, com certeza de todos os bancos, no caso do Banco Máxima, na época era mais intensa por questões da reestruturação”, declarou.
Questionado se Paulo Sérgio o ajudou no processo para assumir o controle do Banco Máxima, Vorcaro também negou.
Encontros com Belline
No depoimento, Vorcaro afirmou ainda que conheceu Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária, durante a pandemia.
Segundo o banqueiro, Belline e Paulo Sérgio chegaram a ser recebidos em suas residências em Brasília e São Paulo para tratar de “pautas relativas ao Banco Master”.
A versão apresentada por Vorcaro contrasta com a linha de investigação da Polícia Federal, que aponta suspeitas de que servidores do Banco Central tenham recebido propina para beneficiar o Banco Master dentro da instituição financeira.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

