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Associação de peritos pede que plenário do STF analise afastamento de Andrei Rodrigues

Política

Associação de peritos pede que plenário do STF analise afastamento de Andrei Rodrigues

Entidade classificou decisão como medida de “excepcional gravidade” e defendeu que caso seja levado aos 11 ministros da Corte

Associação de peritos pede que plenário do STF analise afastamento de Andrei Rodrigues

Foto: Divulgação/PF

Por: Metro1 no dia 08 de setembro de 2026 às 12:03

A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) pediu nesta terça-feira (8) que o Supremo Tribunal Federal (STF) leve ao plenário da Corte a discussão sobre o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em nota divulgada após a decisão do ministro André Mendonça, a entidade classificou o afastamento do chefe da PF como uma medida de “excepcional gravidade” e defendeu que o caso seja analisado pelos 11 ministros do Supremo.

A manifestação ocorre enquanto a Segunda Turma do STF já formou maioria de três votos a zero para manter a decisão de Mendonça. O julgamento, no entanto, foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Apesar da suspensão da análise, a decisão individual que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues continua em vigor.

Para a associação, decisões que atingem o comando de uma instituição como a Polícia Federal têm consequências que ultrapassam a própria corporação e envolvem a governança da segurança pública e a relação entre os Poderes. A APCF afirmou que, por esse motivo, a análise do caso pelo colegiado completo do Supremo seria importante para assegurar a legitimidade da decisão.

“O afastamento do comando máximo de uma instituição de Estado é medida de excepcional gravidade e deve fundamentar-se em indícios concretos e verificáveis, submetidos, ainda que em momento posterior, ao devido contraditório”, destacou a associação.

A entidade também informou que acompanhará as investigações criminais e os processos disciplinares instaurados na Corregedoria da Polícia Federal relacionados ao caso.

Segundo a APCF, a associação confia na observância das garantias do devido processo legal e da ampla defesa, defendendo uma Polícia Federal “forte, técnica e independente”.

Andrei Rodrigues foi afastado preventivamente por determinação de André Mendonça. A medida também atingiu o diretor de Inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada. A decisão suspendeu ainda a produção e a circulação de determinados relatórios de inteligência relacionados à análise de atos envolvendo funções do Judiciário, da advocacia pública e da polícia judiciária.

O afastamento passou a ser analisado pela Segunda Turma do STF, onde Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques votaram pela manutenção da medida. Gilmar Mendes, porém, pediu vista e interrompeu o julgamento. O ministro terá até 90 dias para devolver o processo.

PF vive expectativa por transição

A reação da associação ocorre em meio à crise que envolve integrantes da cúpula da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal. Mais cedo, o diretor-executivo da PF, William Marcel Murad, fez uma defesa pública de Andrei Rodrigues durante a abertura de um curso de formação para agentes na Academia Nacional de Polícia, em Brasília.

Murad afirmou que a corporação não se deixará abalar por “ataques” e declarou confiança na direção-geral da instituição. Nos bastidores, integrantes da cúpula da Polícia Federal relataram indignação com a decisão de afastamento.

Até então, Andrei Rodrigues ainda aguardava a formalização da notificação judicial. A expectativa é que, após ser oficialmente intimado, ele cumpra a determinação e o comando da corporação seja transferido para William Marcel Murad.