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PF rastreia R$ 8,5 milhões e aponta uso de ‘laranjas’ em rede ligada ao Dark Horse

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PF rastreia R$ 8,5 milhões e aponta uso de ‘laranjas’ em rede ligada ao Dark Horse

Segundo investigação, empresa que recebeu recursos de entidade ligada à produtora repassou dinheiro a firmas registradas em nome de cuidadora de idosos e servente de obras

PF rastreia R$ 8,5 milhões e aponta uso de ‘laranjas’ em rede ligada ao Dark Horse

Foto: Reprodução/Redes sociais

Por: Metro1 no dia 10 de setembro de 2026 às 14:34

A Polícia Federal (PF) identificou um repasse de R$ 8,5 milhões do Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, para uma empresa que, segundo a investigação, teria sido usada para redistribuir valores dentro de uma rede financeira suspeita de utilizar “laranjas” para ocultar a origem e a titularidade de recursos públicos.

O dinheiro foi enviado à Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda., que recebeu R$ 8.554.301,14 em oito transferências do ICB entre 30 de julho e 9 de outubro de 2024. A empresa movimentou R$ 31,6 milhões em menos de três meses, somando créditos e débitos.

A partir da análise de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), a PF identificou que parte dos recursos recebidos pela Ultra IP foi posteriormente transferida para outras empresas. Entre os destinatários estão firmas cujos responsáveis tinham renda formal muito inferior aos valores movimentados.

Empresas na mira

Um dos repasses identificados foi de R$ 1,07 milhão para a ABC Logísticas e Serviços Ltda. A empresa tinha como única sócia Nayara Bianca Silva de Souza. De acordo com a PF, ela trabalhava como cuidadora de idosos, com salário médio de R$ 1.815, e recebia o benefício do Novo Bolsa Família.

Outro R$ 627,4 mil foi enviado para a Fastsoftsolution Mídia Desenvolvimento e Publicidade Ltda., que tinha capital social declarado de R$ 300 mil. O único sócio, Anderson Souza Mendes, tinha como último vínculo profissional formal registrado a função de servente de obras, com remuneração média entre um e dois salários mínimos.

A Ultra IP também transferiu R$ 1,33 milhão para a Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade presidida por Karina Gama.

‘Redistribuidora dos recursos’

Segundo a PF, a Ultra IP ocupava uma posição intermediária no fluxo financeiro investigado. A empresa recebia valores do ICB e, posteriormente, distribuía parte dos recursos para outras organizações.

Para a PF, empresas como a Ultra IP atuavam como “redistribuidoras dos recursos”, recebendo valores do ICB e realizando posteriormente transferências para outros integrantes da rede investigada.

A investigação aponta que, entre 2024 e 2026, pessoas físicas e jurídicas teriam sido utilizadas como intermediárias para dificultar a identificação da origem, da localização, da movimentação e da titularidade de valores supostamente desviados de recursos públicos federais.

Na avaliação dos investigadores, os dados analisados indicam, em tese, que empresas foram utilizadas como instrumentos para fazer circular e ocultar os valores.

A apuração integra o caso que envolve o Instituto Conhecer Brasil e a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”. Karina Gama foi alvo de mandados de busca e apreensão da PF nesta quinta-feira (10), durante a Operação Make Up.