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‘Vorcaro virou banqueiro no governo Bolsonaro e prisioneiro no meu’, diz Lula

Política

‘Vorcaro virou banqueiro no governo Bolsonaro e prisioneiro no meu’, diz Lula

Em entrevista ao SBT Brasil, presidente também comentou encontro com ex-dono do Banco Master, crise no STF, pesquisas eleitorais e economia

‘Vorcaro virou banqueiro no governo Bolsonaro e prisioneiro no meu’, diz Lula

Foto: Ricardo Stucker/PR

Por: Metro1 no dia 11 de setembro de 2026 às 09:57

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (10) que Daniel Vorcaro, então responsável pelo Banco Master, “virou banqueiro no governo Bolsonaro e prisioneiro” durante sua gestão. A declaração foi dada em entrevista ao SBT Brasil, na qual o presidente também explicou as circunstâncias de um encontro que teve com o empresário no Palácio do Planalto antes de o caso envolvendo a instituição se tornar público.

Segundo Lula, Vorcaro procurou o presidente para reclamar de uma suposta perseguição ao Banco Master. O encontro, de acordo com o petista, durou cerca de meia hora e contou ainda com a presença de outro homem. “Daniel Vorcaro veio conversar comigo no Palácio do Planalto. Ele e outro rapaz disseram que estavam perseguindo o banco dele. Eu disse que o Banco Master seria analisado como qualquer banco.”

Ao comentar o caso, Lula afirmou que não havia interesse do governo em fechar a instituição, mas defendeu que o banco seja submetido aos mesmos critérios aplicados às demais instituições financeiras. “O Banco Master vai ser analisado como qualquer banco. Ninguém tem interesse em fechar banco. Agora, você tem que estar correto, se não estiver correto, nós fechamos.”

Crise no STF

Na entrevista, conduzida pelas jornalistas Basília Rodrigues e Marina Demori, Lula também falou sobre a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e as investigações relacionadas ao caso Banco Master/Dark Horse.

O presidente defendeu que todos os envolvidos sejam investigados, independentemente do cargo ou posição social. “Todo mundo tem que ser investigado.” Lula afirmou ainda que o STF não pode se transformar em uma “balbúrdia” e disse que cabe ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, “colocar ordem na casa”.

Sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o presidente declarou que ele é de sua “total confiança”, em meio aos desdobramentos do caso e às decisões de afastamento determinadas pelo ministro André Mendonça.

Pesquisas eleitorais

Lula também minimizou o peso das pesquisas de intenção de voto em sua campanha pela reeleição. Segundo ele, acompanhar constantemente os levantamentos poderia prejudicar sua atuação. “Se eu for ficar em cima de pesquisa, analisando, eu morro. Não vou fazer campanha.”

Apesar disso, o presidente afirmou que utiliza os resultados como referência para avaliar os rumos da campanha. “A pesquisa é um reflexo para a gente poder saber o que fazer dali para frente.”

Economia e Faria Lima

Ao falar sobre economia, Lula voltou a criticar o mercado financeiro e a chamada Faria Lima. O presidente questionou a reação do setor às medidas fiscais do governo e afirmou que falta preocupação com questões sociais. “Eu gostaria de saber por que a Faria Lima só chora. A Faria Lima não conhece a palavra social. A Faria Lima não conhece a palavra inclusão.”

Lula também rebateu críticas sobre sua responsabilidade fiscal. “Ninguém nesse país tem autoridade para falar de autoridade fiscal comigo. Ninguém.”

O presidente defendeu ainda o investimento em educação como uma forma de ampliar o patrimônio do país. “Investir em educação é investir no aumento do patrimônio (…) e não de soja e de commodity.”

Reforma do Judiciário

Lula defendeu uma discussão sobre mudanças no Judiciário e afirmou que é necessário estabelecer critérios para o funcionamento da Suprema Corte. “É preciso realizar uma reforma no Judiciário e criar critérios.”

Entre as possibilidades citadas pelo presidente está o debate sobre o fim do caráter vitalício do cargo de ministro do STF. Lula ressaltou que uma eventual mudança precisaria ser discutida amplamente com a sociedade.“Eu não sou presidente de mim mesmo, eu sou presidente de mais de 200 milhões de habitantes.”

Segurança pública

Na área de segurança, Lula defendeu uma definição mais clara das atribuições de União, estados e municípios. “É necessário definir o papel da União, do Estado e do Município.”

O presidente também defendeu a criação de uma Guarda Nacional voltada à inteligência e ao combate às facções criminosas e ao crime organizado.