
Política
Relatório da Abin alerta governo e TSE sobre risco de interferência dos EUA nas eleições
Documento cita sanções e tentativa de influência sobre países da América Latina

Foto: Official White House Photo by Andrea Hanks
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como elevado o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026 e apontou uma escalada de pressão sobre o país. As informações são da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. O relatório reservado foi enviado, no fim de agosto, à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.
O documento, intitulado “Ameaças ao processo eleitoral de 2026”, afirma que há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”. Segundo a Abin, “observa-se intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA” sobre o país, “sem ruptura de um padrão estrutural de influência já existente”.
Pressão dos EUA
Na avaliação da agência, “a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina é prioridade do segundo governo [de Donald] Trump”. O relatório cita documentos estratégicos do governo norte-americano e aponta como objetivo reduzir a influência de países rivais, especialmente sobre ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura da região.
A Abin também relaciona o alerta a sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra brasileiros e empresas suspeitos de vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Para a agência, a medida “representa mudança de fase na escalada de sanções e interferência estadunidense”, com efeitos sobre relações financeiras, empresas e operações internacionais.
Marco Rubio
O relatório dedica atenção ao secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional dos EUA, Marco Rubio. Segundo a Abin, ele “atribuiu ao presidente brasileiro [Lula] a responsabilidade pela imposição de tarifas” sobre produtos brasileiros, afirmando que o país não teria “negociado de boa fé”. Para a agência, a declaração pode influenciar o debate público brasileiro.
A Abin também afirma que a atuação de Rubio tem como objetivo “influenciar e reorientar a política externa dos países da região [América Latina]”. O relatório cita ainda uma tentativa do governo Trump, em 2025, de pressionar o Brasil a permitir a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. Uma minuta de declaração conjunta previa que o país realizasse eleições “livres e justas” e não limitasse a participação desses grupos.
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