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PF vê possível elo entre emendas de Mario Frias e recursos enviados ao filme “Dark Horse”

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PF vê possível elo entre emendas de Mario Frias e recursos enviados ao filme “Dark Horse”

Investigação aponta caminhos de cerca de R$ 2 milhões destinados a projetos do deputado e analisa repasses que chegaram à produtora do filme sobre Jair Bolsonaro

PF vê possível elo entre emendas de Mario Frias e recursos enviados ao filme “Dark Horse”

Foto: Câmara dos Deputados

Por: Metro1 no dia 25 de setembro de 2026 às 10:42

Emendas parlamentares do deputado federal Mario Frias (PL-SP) podem ter alimentado um esquema investigado pela Polícia Federal por suspeitas de peculato, fraude e lavagem de dinheiro. Segundo documentos da investigação, cerca de R$ 2 milhões destinados aos projetos “Lutando pela Vida” e “Jovem Empreendedor” podem ter sido desviados após os recursos passarem pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB).

De acordo com a PF, parte do dinheiro teria chegado a empresas ligadas a ex-secretários parlamentares, advogados e pessoas próximas a Frias. O ICB, responsável por receber as emendas, e a produtora Go Up, que recebeu recursos relacionados ao filme “Dark Horse”, são ligados à empresária Karina Gama, também investigada. Ela nega irregularidades.

Entre os citados está Fábio Lago Meirelles, advogado de Frias. A empresa LF&P Consulting, da qual ele é titular, recebeu R$ 80 mil do ICB no projeto “Jovem Empreendedor” por serviços contábeis e jurídicos. Segundo a PF, Meirelles também recebeu R$ 69 mil da Complexsys entre outubro de 2024 e abril de 2026. Outro advogado do deputado, Diego Aguilera Martinez, teve seu escritório contratado pelo ICB por R$ 151,4 mil.

Martinez afirmou que os serviços foram efetivamente prestados e dentro da legalidade. Segundo ele, a situação não deve ser confundida com a atuação de seus clientes. Meirelles também é citado na movimentação financeira da Complexsys, empresa que recebeu recursos do ICB e da cota parlamentar de Frias.

Ex-secretários e pessoas próximas

A investigação também cita ex-secretários parlamentares de Frias e seus familiares. Raphael Augusto Azevedo foi alvo de busca e apreensão. O irmão dele, Kayo Henrique Azevedo, aparece como responsável técnico do projeto “Jovem Empreendedor”, após o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação pedir documentos adicionais para avaliar a proposta.

Outra ex-secretária parlamentar mencionada é Paula de Oliveira Lima, que deixou o gabinete em abril de 2024. Dois dias depois, ela abriu a Agência Loop, que apresentou ao ICB uma proposta de R$ 311 mil para o projeto.

A investigação também cita Rudyge Boldrini, que doou R$ 4 mil para a campanha de Frias em 2022 e prestou serviços à campanha. Ele foi eleito conselheiro fiscal do ICB e posteriormente contratado pelo instituto para atuar no projeto “Lutando pela Vida”, cuja execução, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), não foi integralmente comprovada.

Cota parlamentar e empresas

A PF também analisa recursos da cota parlamentar de Frias destinados à Complexsys, empresa de Andre Feldman. Entre setembro de 2024 e abril de 2026, a companhia recebeu pelo menos R$ 154 mil do deputado.

Segundo os documentos, a empresa movimentou mais de R$ 18 milhões entre outubro de 2024 e outubro de 2025, período em que recebeu R$ 5 milhões do ICB e R$ 92,4 mil de Frias. A PF identificou ainda transferências da companhia para pessoas e empresas citadas na investigação.

A Complexsys afirmou, por meio de sua assessoria, que refuta as imputações feitas contra a empresa e que apresentará sua defesa no processo. Também declarou que o contrato firmado com o gabinete de Frias cumpriu as exigências legais.

Recursos chegam à produtora de “Dark Horse”

A investigação também acompanha o caminho de recursos que chegaram à Go Up, produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Segundo a PF, Frias enviou R$ 645 mil à produtora, valor que os investigadores consideram incompatível com o salário do deputado.

A Go Up recebeu ainda R$ 750 mil da NTT, empresa de Heric Dias. Segundo a investigação, empresas ligadas a ele receberam R$ 700 mil provenientes de emendas parlamentares destinadas ao ICB por Frias para o projeto “Jovem Empreendedor”.

Outro repasse sob análise foi de R$ 2,6 milhões da Conhecer Brasil Assessoria Produção e MKT Cultural, a GO 7, para a Go Up. A GO 7 também recebeu R$ 1 milhão do ICB entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 e R$ 54 mil em gastos da campanha de Frias em 2022.

Frias nega irregularidades no exercício do mandato e afirmou que a operação de busca e apreensão realizada contra ele em 10 de setembro foi uma “cortina de fumaça” em meio às eleições de 2026.