
Política
Conselho do MPF forma maioria para manter Gonet do caso Master
Relator votou pelo arquivamento do caso, enquanto conselheiros divergiram sobre a necessidade de aprofundar a apuração envolvendo o procurador-geral

Foto: Victor Piemonte/STF
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) alcançou maioria nesta sexta-feira (25) para manter o procurador-geral da República, Paulo Gonet, à frente dos casos que envolvem o Banco Master.
Embora a maioria tenha se posicionado contra o afastamento, houve divergências entre os conselheiros sobre a necessidade de ampliar a apuração envolvendo Gonet. O órgão reúne os 10 integrantes da cúpula do MPF. Como Gonet não participa da votação, nove conselheiros estão aptos a votar.
Voto do relator
O relator, Sanseverino, avaliou que as mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que fazem referência a Gonet, não devem ser consideradas separadamente ou sem levar em conta o contexto em que foram trocadas.
“Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada e/ou descontextualizada para não criar uma situação artificial e que não corresponda à realidade dos fatos”, afirmou o relator. Segundo Sanseverino, não há nos autos elementos mínimos que indiquem materialidade ou autoria de crime que possa ser atribuída ao procurador-geral.
Diante disso, o relator votou contra a abertura do procedimento e considerou prejudicados os pedidos para retirar Gonet das investigações relacionadas ao Banco Master.
Outros votos
A conselheira Janice Ascari divergiu parcialmente. Ela defendeu a designação de um subprocurador-geral para colher informações e esclarecer pontos ainda não respondidos, sem considerar que isso significaria necessariamente abrir uma investigação criminal. Samantha Chantal Dobrowolski acompanhou Ascari e também defendeu o aprofundamento da análise, enquanto Celso de Albuquerque Silva e Alexandre Camanho acompanharam o relator pelo arquivamento.
A discussão no Conselho envolve referências a Gonet encontradas em relatórios da Polícia Federal, incluindo mensagens sobre uma possível viagem a Londres para o filho do procurador-geral, contatos intermediados por Ciro Soares e alegações de que Gonet teria sido acionado em questões relacionadas ao Banco Master. Os conselheiros analisam se esses elementos são suficientes para justificar novas diligências ou se o caso deve ser arquivado.
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