
Política
Lula diz que fim das bets não prejudica futebol e cobra reação dos clubes
Presidente afirma que apostas representam menos de 7% da arrecadação dos times; entidades do setor acionam o STF contra medida que proíbe bets e cassinos online

Foto: Ricardo Stuckert.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (28) que o fim das bets no Brasil não deve causar prejuízos ao futebol. A declaração ocorreu durante a sanção de novas medidas voltadas à profissionalização do futebol feminino, em Brasília.
“Esse negócio de acabar com bets não traz prejuízo para o futebol. Nos melhores momentos da história do futebol não existia bets. O Brasil foi campeão do mundo e não existia bet”, afirmou.
A declaração ocorre às vésperas de uma reunião entre o governo federal e representantes de clubes de futebol, marcada para esta terça-feira (29). O encontro, confirmado pelo Ministério do Esporte, terá como pauta os impactos da medida provisória que determinou o fim das plataformas de apostas de quota fixa no país.
Publicada na sexta-feira (25), a MP estabelece que as empresas terão até 6 de outubro para deixar de operar. Os apostadores poderão resgatar os valores disponíveis nas plataformas até 5 de outubro.
Lula afirmou que os clubes precisam buscar outras formas de geração de receita e citou a possibilidade de transformação das equipes em empresas.
“E os clubes que se virem. Já aprovamos a lei que os clubes podem virar empresa, agora é preciso colocar gente de competência para fazer empresa”, declarou.
O presidente também defendeu que as empresas de jogos online busquem outras atividades para gerar receita e afirmou que as bets representam menos de 7% da arrecadação dos clubes de futebol.
“É uma máquina de matar o povo pobre, e eu, sinceramente, acabei para dizer o seguinte: ninguém vai tirar mais o dinheiro do leite, do pão, do feijão, da carne, da comida das crianças pra apostar em bets”, declarou.
Entidades acionam o STF
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) protocolaram nesta segunda-feira (28) um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender os efeitos da medida provisória.
As entidades querem interromper integralmente a aplicação da MP até que o Congresso delibere definitivamente sobre a medida ou até o julgamento das ações em andamento no STF. O pedido também busca preservar a legislação anterior e o funcionamento das empresas autorizadas.
Em outra ação, a Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja) pediu ao STF que declare a inconstitucionalidade da medida provisória e, consequentemente, derrube a proibição.
O caso será analisado pelo ministro Luiz Fux, relator no Supremo.
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