
Política
Governo cobra R$ 1 bilhão de 17 bets por danos ligados ao vício em apostas
Ação da AGU pede ressarcimento de gastos do SUS e devolução em dobro de valores apostados por pessoas com ludopatia

Foto: Imagem gerada com auxílio de IA
O governo brasileiro entrou na Justiça nesta segunda-feira (28) contra 17 empresas de apostas online e cobra R$ 1 bilhão por despesas do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionadas aos danos atribuídos ao jogo, além de indenização por danos morais coletivos.
A ação foi apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU) à Justiça Federal em Pernambuco. O governo também solicita que as empresas sejam obrigadas a devolver em dobro os valores apostados por pessoas diagnosticadas com ludopatia, transtorno do jogo patológico.
De acordo com a ação, cerca de 28 milhões de brasileiros apostam atualmente, enquanto 10,9 milhões apresentam padrão de jogo de risco ou problemático. Entre janeiro de 2018 e dezembro de 2025, os atendimentos do SUS associados aos diagnósticos de jogo patológico e comportamento de jogo excessivo aumentaram aproximadamente 140%.
Entidades ligadas às bets recorrem ao STF
No mesmo dia, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender os efeitos da medida provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que determinou a proibição imediata da exploração, oferta, intermediação e publicidade de bets e cassinos online no país.
As entidades pedem que a MP seja suspensa até que o Congresso Nacional delibere sobre o texto ou que o STF julgue as ações em andamento. A solicitação inclui a manutenção da legislação anterior e do funcionamento das empresas autorizadas.
Também nesta segunda-feira, a Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja) apresentou outra ação ao STF para pedir que a medida provisória seja declarada inconstitucional e, consequentemente, derrubada. O caso será relatado pelo ministro Luiz Fux.
Proibição das apostas
Lula anunciou na semana passada a proibição das apostas de quota fixa no Brasil, incluindo os jogos online e cassinos virtuais, como o chamado "Jogo do Tigrinho".
Os apostadores poderão retirar os valores disponíveis nas plataformas até as 23h59 de 5 de outubro. Depois desse prazo, os bancos que operam para as empresas deverão fazer a devolução dos recursos entre 9 e 14 de outubro.
O governo também encaminhou ao Congresso um projeto de lei que prevê a criminalização da exploração, operação e divulgação de apostas de quota fixa após a proibição do setor.
O texto ainda depende de aprovação do Congresso e sanção presidencial. Se aprovado, a exploração ou operação das chamadas apostas de quota fixa poderá resultar em pena de quatro a seis anos de reclusão, além de multa, inclusive quando houver autorização de uma autoridade estrangeira.
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