
Política
Vorcaro presta depoimento à PF e contesta acusações de ordenar agressões e de fuga do Brasil
Ex-banqueiro foi ouvido nesta quarta-feira (30) em investigação sobre o grupo “A Turma”; defesa diz que mensagens atribuídas a ele foram desabafos e pede revogação da prisão preventiva**

Foto: Divulgação
Daniel Vorcaro negou, em depoimento prestado à Polícia Federal nesta quarta-feira (30), ter ordenado agressões contra adversários e afirmou que não tentou fugir do Brasil antes de ser preso, em novembro de 2025. O ex-banqueiro foi ouvido na Papudinha, em Brasília, no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de ameaças, acesso indevido a informações sigilosas e obstrução da Justiça.
Segundo a defesa, Vorcaro também negou que a viagem em uma aeronave privada, realizada às vésperas de sua prisão, tivesse como objetivo deixar o país para escapar da Justiça. Os advogados afirmam que o deslocamento havia sido comunicado previamente a autoridades e que já existiam reservas de hotel, salas de reunião e plano de voo antes da expedição da ordem de prisão.
A defesa sustenta que "ficou demonstrada também a inexistência de qualquer plano de fuga". Segundo os advogados, a ordem só foi expedida posteriormente, às 15h29 de 17 de novembro de 2025. Sobre as suspeitas de agressões, Vorcaro afirmou que mantinha contato com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", em razão de uma relação contratual, e negou ter determinado ataques contra terceiros.
Em nota, a defesa afirmou que não houve qualquer ato de violência ou intimidação praticado pelos grupos chamados de "A Turma" e "Os Meninos". Segundo os advogados, a relação de Vorcaro com integrantes desses grupos era de prestação de serviços e não envolvia a determinação de ações violentas.
Em nota, a defesa afirmou que a investigação distorceu “mensagens privadas” proferidas em “momentos de indignação” mas que nunca resultaram em atos concretos de agressões As mensagens, porém, aparecem entre os elementos analisados pela Polícia Federal na investigação. Em uma delas, Vorcaro teria pedido a Mourão que o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, fosse agredido em um suposto assalto. Em outra conversa, o banqueiro teria feito referência a uma funcionária ligada à atriz Monique Alfradique.
Em uma das mensagens interceptadas, Vorcaro afirmou: "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". Em outro episódio, sobre a funcionária, teria escrito: "Empregada (da) Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda".
A defesa argumenta que as mensagens devem ser interpretadas dentro do contexto em que foram escritas e sustenta que não houve execução das ameaças mencionadas nas conversas.
Viagem antes da prisão
A viagem em aeronave privada realizada por Vorcaro pouco antes de sua prisão também foi questionada pelos investigadores. A suspeita era de que o deslocamento pudesse estar relacionado a uma tentativa de deixar o país depois de ele ter tomado conhecimento de informações sobre a investigação.
Vorcaro negou essa versão. De acordo com a defesa, havia planejamento prévio para a viagem, incluindo reservas de hotel e salas de reunião, além de registro do plano de voo.
Os advogados também questionaram o uso de mensagens privadas trocadas entre Vorcaro e seus defensores. Em nota, a defesa afirmou que "mensagens protegidas por sigilo legal" teriam sido acessadas e utilizadas na construção de versões que considera indevidas. A defesa voltou a pedir a revogação da prisão preventiva do ex-banqueiro e classificou a manutenção da prisão como uma "prisão por razões políticas".
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