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Mensagens mostram irritação de Vorcaro com ex-mulher de Toffoli e cobrança sobre resort

Política

Mensagens mostram irritação de Vorcaro com ex-mulher de Toffoli e cobrança sobre resort

Mensagens mostram irritação de Vorcaro com ex-mulher de Toffoli e cobrança sobre resort

Foto: Luiz Silveira/STF

Por: Metro1 no dia 01 de outubro de 2026 às 11:07

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, reclamou ao advogado Walfrido Warde da forma como era tratado por Roberta Rangel, então mulher do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). As conversas, extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) e obtidas pelo UOL, ocorreram em meio a negociações envolvendo o resort Tayayá, no Paraná.

Em agosto de 2024, Vorcaro escreveu a Warde que havia recebido informações desagradáveis sobre Rangel. “Agora recebi uma info bem chata da Roberta”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Falou mal demais de mim ontem em BSB. E não entendi nada.”

Na época, Rangel defendia uma empresa que cobrava judicialmente uma dívida milionária da família Vorcaro. O banqueiro afirmou ter tentado convencê-la a abandonar o caso, sem sucesso. “Ela entrou numa ação contra mim”, disse a Warde. “Eu fui lá nela. Deixei de lado porque ela não quis desistir.”

Rangel havia trabalhado no escritório de Warde, mas deixou a sociedade em 2022. Segundo Vorcaro, ela continuava recebendo remuneração como advogada do Banco Master. Ela e Toffoli se separaram em 2025.

Cobranças por aporte no resort

As mensagens também detalham a negociação envolvendo a participação de Toffoli no resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. No início de 2024, o ministro manifestou a Vorcaro interesse em recomprar o fundo Arleen e retomar sua participação no empreendimento, que havia sido vendida ao fundo ligado ao banqueiro e a seu cunhado, Fabiano Zettel, por R$ 20 milhões.

Pelas conversas, a transferência estava condicionada a um novo aporte de R$ 15 milhões no fundo. As cobranças de Vorcaro começaram em maio daquele ano.

Em 24 de maio de 2024, após conversar por telefone com Toffoli, Vorcaro cobrou Zettel sobre o dinheiro. “Vc nao resolveu o aporte no fundo”, escreveu, seguido de “Tayaya” e “Estou em situação ruim”.

O assunto voltou a ser discutido quando Vorcaro soube do risco de Toffoli mudar de posição em um processo de interesse do Banco Master no STF, relacionado a direitos creditórios de usinas.

Zettel afirmou que aguardava informações sobre quem deveria constar como comprador do fundo. “Aportamos os 15. Agora só falta transferir”, escreveu. Vorcaro, por sua vez, cobrou Warde: “Tá travado em vc. Eu fiz e vcs não passaram quem vai no contrato”.

Warde respondeu que não conhecia os detalhes da negociação e consultou Guilherme Lippi, advogado de seu escritório. Depois, informou a Vorcaro: “Lippi acaba de dizer que ele quem está travando”. No contexto da conversa, a referência era a Toffoli.

Os advogados haviam participado da transferência de parte do resort para o fundo Arleen, em 2021, mas, segundo a reportagem, não tinham conhecimento da negociação envolvendo o aporte adicional de R$ 15 milhões.

Posteriormente, Toffoli indicou o empresário Alberto Leite como comprador. Lippi repassou o contato a Zettel, que passou a tratar diretamente com ele. O escritório deixou a negociação antes da conclusão da transferência, em 2025.

O negócio foi fechado entre Leite e Zettel, e o patrimônio do fundo, então avaliado em R$ 35 milhões, foi transferido para uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas. Procurado pelo UOL, Leite não respondeu.

O que diz Toffoli

Em nota, o gabinete do ministro afirmou que a Maridt, empresa familiar que integrou o grupo Tayayá, é uma sociedade anônima de capital fechado, devidamente registrada e com declarações anuais apresentadas à Receita Federal.

Segundo o comunicado, a participação da empresa no grupo foi encerrada em duas operações: a venda de cotas ao Fundo Arleen, em setembro de 2021, e a alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em fevereiro de 2025.

A nota afirma ainda que todas as operações foram declaradas à Receita Federal e realizadas por valores de mercado, sem restrições relacionadas às declarações da empresa ou de seus acionistas.