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Vorcaro editava reportagens do Metrópoles antes da publicação e tinha pedidos atendidos pela direção

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Vorcaro editava reportagens do Metrópoles antes da publicação e tinha pedidos atendidos pela direção

Mensagens obtidas pela PF mostram que ao menos 11 textos foram alterados a pedido do ex-banqueiro, que também sugeria pautas ao portal, segundo o UOL

Vorcaro editava reportagens do Metrópoles antes da publicação e tinha pedidos atendidos pela direção

Foto: Divulgação/PF

Por: Metro1 no dia 15 de outubro de 2026 às 15:34

A direção do portal Metrópoles compartilhava reportagens com Daniel Vorcaro antes da publicação e aceitava alterações solicitadas pelo então dono do Banco Master. As conversas encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro também mostram que a empresa sugeria pautas de interesse dele e publicou conteúdos a pedido de Vorcaro, segundo levantamento divulgado pelo UOL.

Ao menos 14 reportagens foram encaminhadas previamente ao banqueiro, das quais 11 passaram por mudanças após suas sugestões. A relação se estreitou em 2024, quando o Master firmou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. A CEO do grupo, Lilian Tahan, mantinha contato direto com Vorcaro e o consultava sobre textos relacionados ao banco e a outros assuntos de seu interesse.

Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre o empresário, Tahan escreveu: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”.

Questionada pelo UOL, a executiva afirmou que consultar fontes antes da publicação é uma prática adotada com representantes dos setores empresarial, político e judiciário. Ela também negou que o contrato publicitário tivesse relação com a cobertura jornalística e citou reportagens do próprio portal sobre dificuldades enfrentadas por empresas ligadas a Vorcaro.

Contrato de R$ 20 milhões

O contato entre Vorcaro e a direção do Metrópoles começou em maio de 2024, quando Guilherme Barros, então consultor do banqueiro, organizou um encontro entre ele e Lilian Tahan. No dia seguinte, Barros comentou que a executiva havia gostado do empresário e sugeriu que ela fizesse a ponte com Luiz Estevão, proprietário do portal.

Um mês após a reunião, o Banco Master pagou R$ 1 milhão ao site. Em julho, foram acertados outros R$ 900 mil para financiar projetos de educação financeira de duas empresas do grupo: a seguradora Kovr e o banco digital Will.

Em novembro daquele ano, Tahan apresentou uma nova proposta comercial. O contrato fechado chegou a R$ 20 milhões, conforme mensagens entre Vorcaro e Ana Matos, diretora de marketing. Ao receber o valor, Matos comentou que o Metrópoles estava caro. O banqueiro respondeu: “Coisa mais importante [da] nossa vida é esse Metrópoles”.

O pagamento foi realizado em 2025, em parcelas de R$ 5 milhões, segundo as mensagens obtidas pela investigação.

Pedidos de alteração em reportagens

As conversas indicam que Vorcaro interferiu em diferentes conteúdos publicados pelo portal. Em abril de 2025, por exemplo, ele contestou uma reportagem sobre uma suposta proposta de compra de ativos do Master por R$ 1. “Proposta de 1 real nunca existiu!”, escreveu. Tahan respondeu: “Tiramos”.

Naquele período, o Banco Master enfrentava dificuldades financeiras, e o Banco de Brasília (BRB) havia anunciado a compra de 58% do capital da instituição. A operação dependia de aprovação do Banco Central e era alvo de críticas.

Dias depois, Tahan procurou Vorcaro para apresentar um documento recebido pela equipe do portal. Em outra conversa, sugeriu uma reportagem comparando os balanços do Master e do BRB e perguntou se o conteúdo poderia ajudar ou prejudicar o banqueiro. Vorcaro pediu para revisar os dados antes da publicação, e a executiva concordou. O texto foi publicado no mesmo dia, após ser enviado a ele.

Em maio, o empresário também solicitou a retirada de uma referência à Hapvida de uma reportagem sobre a venda de ativos do Master ao BTG Pactual. O pedido foi aceito.

Cobertura sobre diretor do Banco Central

As mensagens mostram ainda a participação de Vorcaro em reportagens sobre Renato Gomes, diretor do Banco Central que analisava a compra do Master pelo BRB e se posicionou contra a operação.

Em agosto de 2025, Tahan enviou ao banqueiro uma entrevista com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Vorcaro sugeriu reduzir as referências a Gomes e concentrar o texto em Campos Neto, reservando informações sobre o diretor para uma reportagem posterior. A orientação foi atendida.

Em seguida, ao receber um perfil sobre Gomes, o banqueiro pediu a retirada de um trecho sobre a falência do Master e sugeriu incluir informações sobre uma suposta divisão interna no Banco Central e possíveis planos profissionais do diretor após o fim do mandato. Tahan aceitou as sugestões e avisou que o texto seria publicado.

A executiva afirmou ao UOL que Gomes havia se tornado um personagem relevante por se opor à aquisição do Master pelo BRB. Segundo ela, o assunto era de interesse do portal por envolver o banco estatal de Brasília.

Pedido para reduzir cobertura de adversário

Em agosto de 2025, Vorcaro também pediu que o Metrópoles diminuísse temporariamente a cobertura sobre Ricardo Cappelli, então pré-candidato da oposição ao governo do Distrito Federal e crítico da compra do Master pelo BRB.

“Esse Cappelli, você não consegue dar uma freada essa semana? Depois ele volta!”, escreveu o banqueiro. Tahan respondeu: “Deixa comigo”.

Questionada sobre a conversa, a CEO afirmou que Luiz Estevão era um crítico da aquisição do Master pelo BRB e havia fornecido a Cappelli análises sobre problemas nos balanços do banco estatal.

A última troca de mensagens mencionada pelo levantamento ocorreu em 17 de novembro de 2025, dia da prisão de Vorcaro. Tahan enviou ao banqueiro reportagens sobre a venda do Master à Fictor antes da publicação e, depois de realizar alterações, avisou: “Publicada hahahaha”.